PARA SE INSPIRAR

Jardim da Quarentena e Cápsula do Tempo: dois projetos que ressignificam a pandemia

Em Leopoldina, os alunos cultivam mudas que serão plantadas na escola em um futuro retorno e guardam, em tubos de plástico, relatos do isolamento social para serem lidos daqui a cinco anos

O diretor João Paulo Pereira Araújo, no jardim da EE Doutor Pompílio Guimarães: em breve, o espaço receberá as mudas cultivadas pelos alunos em casa. Foto: Rodrigo Ferreira/NOVA ESCOLA

Os dias desafiadores da quarentena dificilmente serão esquecidos. O período tem marcado a vida de todos. Pensando em trabalhar posteriormente as questões relacionadas a este contexto, João Paulo Araújo desenvolveu, com professores e funcionários, alguns projetos na escola, para registar este momento. Dois deles são dirigidos também ao Ensino Fundamental 1 e têm sido bem recebidos pelos alunos e suas famílias.

Pensando no cuidado com o meio ambiente, tão necessário e tão relacionado com o tema das queimadas que atingiram o país em setembro, João Paulo distribuiu mudas e sementes de margarida e girassol para os estudantes. O material chegou juntamente com os kits de aprendizagem distribuídos a cada um dos alunos. 

Aproveitando uma parceria já firmada anteriormente entre a escola com uma empresa de educação ambiental, foi criado o projeto “Semeando para o Amanhã: educação e sustentabilidade em tempos de pandemia”.

A ideia, diz João Paulo, é que eles plantem essas mudas em potinhos e depois levem as plantas para a escola, para montarem o “Jardim da Quarentena”. Com esse trabalho, alguns saberes das crianças e dos pais, da zona rural, vieram à tona, surpreendendo professores. 

“Ficamos felizes porque muitas famílias se envolveram, dando dicas de plantio”, observa o gestor. “Temos um projeto de inclusão, de bom relacionamento com os pais, e esse trabalho ajudou nisso”, aponta.

Das 128 mudas distribuídas para todos os alunos, 114 foram plantadas. Delcimar Silva, mãe de Deivid, aluno do 5º ano, disse que a proposta foi muito bem recebida pelo filho. “Ele participa muito, quer regar a plantinha, está cuidando e aprendendo bastante com isso.”

Enquanto os alunos não retornam com suas plantinhas, a escola é preparada para a retomada. A fachada recebeu nova pintura e o calçamento da entrada foi refeito. Foto: Rodrigo Ferreira/NOVA ESCOLA

Ela, ao lado de Lúcia de Fátima Vieira, reconhece o trabalho feito pela equipe da escola. “Estamos tendo todo suporte, mesmo de longe”, diz Delcimar, que elogia também a qualidade dos kits que chegam na sua casa. “Em junho, as crianças receberam quitutes juninos, todo mês recebem um livro, sentimos como isso faz diferença para eles, que se sentem especiais, queridos e saudosos dos amigos e professores.”

Lúcia, mãe de Vitória, de 10 anos, e de Guilherme, de 13, sabe que a situação está longe de ser a ideal, pois as crianças precisam do convívio. “Eles aprendem mais na sala de aula, acho, mas entendo que a escola está fazendo o que pode para os meninos não ficarem sem conhecimento. Não estamos largados aqui”, conta.

Dentro dessa linha do acolhimento e das discussões de questões socioemocionais, os educadores da EE Pompílio apresentaram mais um projeto para os alunos. Chamado de “Cápsula do Tempo”, ele teve início em setembro, quando receberam, com os kits, pequenos tubos de plástico. Dentro deles havia um roteiro explicativo para cada aluno, convidando-os a externar seus sentimentos em relação ao que estão vivendo. “Todo registro deste momento histórico será transformado em memória”, explica João,

Os recipientes foram recolhidos juntamente com a entrega dos PETs de outubro. Na escola, depois de um período de quarentena, será enterrado em um local identificado por uma placa. Esse projeto envolve toda a escola, com adaptações para cada ciclo.  Daqui a cinco anos, todos os alunos participantes serão convidados para uma cerimônia, na qual as cápsulas serão abertas.

Entre as frases sugeridas, para serem completadas, os alunos deveriam responder:

- Neste exato momento, sinto-me...

-  Daqui a um ano, desejo sentir-me...

- Neste exato momento, sinto saudades de...

-  Daqui a 5 anos, quando eu estiver abrindo esta cápsula, quero...

-  Durante este período, algumas coisas me marcaram muito. Algumas foram: livro, filme, música, série etc. 

Para os menores, foi dada a opção de fazerem um desenho, expressando os sentimentos. Os alunos mais velhos receberam também o “Diário da Quarentena”, um outro canal para registro dos dias de isolamento social. “Com isso, queremos manter o vínculo com nossos alunos para além do momento vivenciado”, resume João.

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