PARA FECHAR O ANO

6 dicas para definir critérios de avaliação em um ano marcado pela pandemia

Neste ano definido pelo contexto remoto, concentrar-se em aprendizagens prioritárias e valorizar todos os registros e produções dos estudantes podem ser boas escolhas

É importante que os critérios de avaliação sejam compreendidos pelos alunos e famílias. Ilustração: Rafael Pascotto/NOVA ESCOLA

“Ter sua aprendizagem avaliada é um direito de todo aluno”, afirma a professora Katia Chiaradia, doutora em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Isso porque só é possível descobrir se o estudante aprendeu ou não por meio de boas estratégias avaliativas. São elas que fornecem evidências concretas a respeito da aprendizagem, o que permite ao educador planejar o que vai fazer para garantir avanços no desenvolvimento do aluno.

Neste ano, porém, o contexto de ensino remoto prejudicou um dos principais instrumentos avaliativos dos professores, que é a interação diária com crianças e jovens em sala, e os colocou diante do desafio de adaptar esse processo. O problema foi compartilhado por todas as escolas. Ainda assim, as diferenças de realidades entre as instituições brasileiras ficaram em evidência durante a pandemia e fizeram com que o contato próximo com o aluno fosse ainda mais difícil para grande parte delas. Nem todas conseguiram estabelecer rotinas de aulas virtuais. Parte contou com acesso limitado de seus alunos à internet e muitas se restringiram a enviar aos estudantes materiais didáticos impressos.

“Os nossos julgamentos, que é de onde nasce a avaliação, ficaram comprometidos, porque a qualidade das informações disponíveis era ruim”, comenta o professor Rodrigo Fonseca, consultor pedagógico em instituições de ensino, com atenção especial às dimensões curriculares de metodologia, planejamento e avaliação do trabalho docente. Ao lado de Katia, Rodrigo é autor do curso Fechamento e Planejamento – ideias para a transição entre 2020 e 2021, que será lançado em breve por NOVA ESCOLA.

Ainda que sem a riqueza de informações do sistema presencial, a avaliação é necessária. Neste período de fechamento de ano, é ela que irá dar suporte para a transição entre 2020 e 2021. “É por meio dos dados mais confiáveis que a escola conseguir, pautada em evidências, que será possível organizar o planejamento de 2021”, diz Rodrigo. Confira as sugestões para construir critérios de avaliação.

Faça da avaliação um instrumento de apoio ao planejamento

Para cumprir sua função, a avaliação não pode ser apenas um registro. Ela deve fornecer indícios de aprendizagem que permitam ao professor acompanhar o percurso do aluno, analisar suas próprias escolhas pedagógicas e planejar intervenções eficazes. Ela deve, portanto, gerar um feedback para docentes e estudantes.

Pense no caráter multidimensional

A aprendizagem ocorre de forma multidimensional, então, os instrumentos avaliativos precisam dar conta de avaliar essas multidimensões. Isso significa pensar em ferramentas para analisar campos sociais, pedagógicos, afetivos e culturais envolvidos no processo de construção do conhecimento dos alunos. Ou seja, examinar fala, comportamento, produções, relações etc.

Estabeleça níveis gradativos de desempenho

É necessário considerar que a aprendizagem é um processo e, portanto, há níveis (ou camadas) graduais de desenvolvimento dela. A avaliação dará suporte para o professor entender em que nível o aluno está. “Assim, deve-se pensar que, antes de um resultado correto ou incorreto de uma conta, há um raciocínio matemático. Ou que, para além de palavras grafadas em desalinho com a norma, existem estruturas de gêneros dos textos em que essas palavras aparecem”, exemplifica Katia.

Esse é o raciocínio por trás, por exemplo, da rubrica, instrumento no qual são listados os critérios de avaliação e descritos os níveis gradativos de qualidade de desempenho. A rubrica pode ser elaborada pelo educador ou construída de maneira colaborativa com os próprios alunos.

As escolas que conseguiram reunir um volume maior de produções dos alunos terão registros mais ricos e, portanto, condições de avaliar uma quantidade maior de objetivos de aprendizagem desenvolvidos pela turma. “As demais terão de buscar alguns materiais e evidências e, a partir daí, tentar organizar tabelas avaliativas que permitam reconhecer a gradação do que foi atingido por cada aluno”, diz Rodrigo.

Concentre-se nas aprendizagens focais

Neste período ímpar, é necessário priorizar. Para isso, um caminho é identificar as aprendizagens focais, ou seja, aquelas inegociáveis, pois são pré-requisitos e traçam a linha da progressão ano a ano. “Minha sugestão é de que as avaliações diagnósticas, neste momento de transição curricular, se ocupem de olhar para as aprendizagens focais”, diz Katia. “Mais tarde, num segundo momento, poderemos ampliá-las para todas as habilidades, que, como sabemos, são direitos essenciais de cada estudante”, completa.

Garanta coerência e intencionalidade

É essencial avaliar de maneira coerente com o que foi ensinado. Para isso, o professor deve analisar quais habilidades conseguiu trabalhar e, a partir delas, planejar a avaliação. Não há motivo para a avaliação ser uma surpresa para o aluno. Essa reflexão deve incluir a clareza do que se quer observar com a avaliação em razão do passo a ser dado.

Compartilhe os critérios

Compartilhar os critérios de avaliação com alunos, famílias e gestão permite a todos compreender os parâmetros estabelecidos. Essa clareza possibilita, no caso dos estudantes, uma autoavaliação.


Para saber mais: No vídeo abaixo, Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), comenta as orientações para a condução das avaliações em 2020.

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