Para repensar a escola

O que fazer - e o que não fazer - na hora da sondagem

O diagnóstico inicial é forte ferramenta para o planejamento do professor, mas é preciso ajustar o olhar para além da classificação

Por Paula Salas

A sondagem é essencial no ciclo de alfabetização, mas é preciso tomar cuidado para que não se torne apenas uma rotina de classificação. Ilustração: Mario Brito

Há certos momentos na vida escolar que se repetem ano após ano. Um deles é a sondagem (ou diagnóstico inicial) no começo do ano para investigar o que a turma já sabe e o que não sabe. Nas classes do ciclo de alfabetização, esse momento é essencial para que o professor avalie o nível de domínio do aluno sobre o sistema de escrita.

A atividade clássica da sondagem na alfabetização é o ditado com palavras de um mesmo campo semântico. Ele começa com uma palavra polissílaba, seguida de uma trissílaba, de uma dissílaba e de uma monossílaba. Por fim, o aluno escuta e tenta transcrever no papel uma frase contendo pelo menos uma das palavras anteriores.

Sondagem para quê?

Um erro comum é utilizar esse momento apenas para classificar os alunos segundo a hipótese de escrita que possuem.

Aliás, você já deve estar familiarizado com essa classificação, mas é sempre bom relembrar: durante o processo de alfabetização, as crianças criam ativamente uma forma de pensar a língua escrita. Esse processo de evolução deu origem às hipóteses de escritas criadas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. São quatro: pré-silábica, silábica (com ou sem valor sonoro), silábico-alfabética e alfabética. Vale ressaltar que nem todos os alunos passam por todas as hipóteses e nem sempre eles saem de uma e vão para a outra numa crescente em termos de domínio da língua. Os caminhos são diversos. Crianças podem apresentar características de mais de uma hipótese.

Por isso, é um erro pensar no acompanhamento do processo de alfabetização como algo linear ou homogêneo. “As crianças fazem coisas na escrita que não podem ser colocadas dentro da caixinha. Eu costumo dizer que as crianças não são um manual da pedagogia, elas fazem coisas que nem imaginamos”, afirma Carla Tocchet, professora da pós-graduação em Alfabetização do Instituto Vera Cruz, em São Paulo.

Para permitir uma sistematização, o que é possível é que o professor entenda predominantemente de que forma o aluno pensa a escrita. Para Sônia Madi, líder da plataforma Alfaletrar, criada pela equipe da pesquisadora Magda Soares, é importante ir além da classificação e analisar o conjunto das produções das crianças, dar situações diversificadas para poder observar o comportamento das crianças e desvendar a forma como eles pensam a língua.

As especialistas elencam três erros principais que devem ser evitados na sondagem:

1. Induzir o pensamento da criança. É essencial garantir que a criança tenha liberdade para escrever da forma que ela pensa. Então, evite intervenções como, por exemplo, "não está faltando uma letra?" ou "tem certeza que é essa letra?" Isso faz a criança a mudar a forma que ela pensou originalmente.

2. Não fazer marcação de leitura. Pedir que a criança leia o que escreveu é fundamental para revelar para o professor a forma que o aluno pensou a escrita. "O docente precisa saber se ela atribui uma letra para cada emissão sonora ou se não está acrescentando uma letra", afirma Carla.

3. Realizar a sondagem apenas no começo do ano. A recomendação é que o trabalho diagnóstico seja realizado ao fim de cada bimestre, de forma a manter o registro da evolução individual das crianças e da turma. No entanto, a observação atenta deve ser constante, pois é no conjunto das produções, dos comportamentos, das perguntas que fazem e das interações que o professor consegue ter uma clareza maior da forma como cada aluno compreende a língua escrita.

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