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Passo a passo para fazer uma boa sondagem

A especialista em alfabetização Maria José Nóbrega explica quais são os principais pontos de atenção para o diagnóstico inicial

O ditado é um clássico da sondagem, mas existem alguns detalhes importantes que o professor precisa ficar atento. Crédito: Caronte Design

A sondagem é um momento privilegiado para entender a forma como o aluno pensa o sistema de escrita, pois ele está individualmente colocando em jogo o que sabe. 

A mais clássica das atividades de diagnóstico em alfabetização é o ditado, mas separar uma lista de palavras e ditá-las não basta. Por isso, NOVA ESCOLA convidou Maria José Nóbrega, professora de pós-graduação no Instituto Vera Cruz, a preparar uma sugestão de atividade com dicas preciosas para você tirar o máximo proveito da sondagem. Confira o passo a passo:

Indicado para: Turmas de 1º e 2º ano

Espaço: Separe em um canto da sala (pode ser próximo à sua mesa) uma carteira para que cada aluno se sente e faça a sondagem, enquanto os demais realizam outra atividade.

Materiais: Papel sulfite e lápis

PASSO A PASSO

1. Antes de começar, é importante ressaltar que, por ser uma avaliação individual, é preciso planejar uma atividade que a turma consiga desenvolver sem a sua ajuda.

Também é necessário elaborar previamente uma lista de palavras dentro de um campo lexical e com quantidades de sílabas diferentes (polissílabas, trissílabas, dissílabas e monossílabas). Com pelo menos uma dessas palavras, crie uma frase. 

LEMBRE-SE: Evite palavras que tenham vogais repetidas em sílabas próximas, como ABACATE, por exemplo. Elas podem causar um grande conflito a crianças, cuja hipótese de escrita faça com que creiam ser impossível escrever algo com duas ou mais letras iguais. Também evite palavras que você sabe que a turma conhece de cor (palavras estáveis), como nomes próprios da turma. 

2. Explique ao aluno a finalidade da atividade, isto é, que você está interessado em saber o que ele já sabe sobre a escrita para que possa ajudá-lo a ler e escrever cada vez melhor.

3. Entregue uma folha de sulfite em branco e um lápis. Esse cuidado permite que você possa saber o uso que as crianças fazem dos instrumentos com que se escreve: a orientação da página, o sentido da escrita. Com uma folha em que já haja um cabeçalho e imagens, por exemplo, esses elementos orientam a disposição da página e o sentido da escrita, impedindo que se obtenham informações a respeito do que a criança sabe a respeito.

4. Solicite à criança que escreva seu nome na folha. Esse cuidado permite observar se o aluno já escreve de modo convencional e se produz escrita empregando prioritariamente o repertório de letras que compõem seu nome. 

5. Faça o ditado das palavras selecionadas partindo das palavras com maior número de sílabas e seguindo a ordem até chegar nas monossílabas.

ORIENTAÇÃO: Fique atento também às reações dos alunos enquanto escrevem. Anote o que eles falam, sobretudo de forma espontânea. Esse cuidado pode ajudar a perceber as ideias que têm sobre o sistema de escrita.

6. Peça que a criança leia após cada palavra escrita e aponte enquanto lê. Anote como ela leu a palavra: se discriminou os segmentos da palavra ou leu globalmente. Analisar como a criança interpreta sua própria escrita, durante a leitura, permite observar se ela estabelece ou não relações entre o falado e o escrito.

7. Após a sondagem, faça o registro das observações. A partir das informações do nível de escrita e leitura de cada aluno, pense nos agrupamentos produtivos para as próximas atividades, de forma a juntar alunos com conhecimentos próximos. Para fazer o registro, uma boa sugestão é utilizar o modelo de mapa da turma, que você também encontra nesta caixa.

IMPORTANTE: Vale ressaltar que a cada sondagem esses grupos são flexíveis, dado que mesmo no mesmo agrupamento os alunos podem avançar em ritmos diferentes. Por isso, a cada sondagem (ou quando a observação contínua do professor indicar) vale repensar a divisão da turma.

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