Para repensar a prática

A leitura como um refúgio para os jovens na quarentena

Obras literárias podem ser uma ferramenta poderosa para espantar o tédio e a ansiedade em tempos de isolamento social

Por Rachel Bonino

O professor pode ajudar sugerindo livros, com o biografias ou títulos de aventura. Ilustração: Veridiana Scarpelli / Nova Escola 

Por conta da pandemia da covid-19, muitos alunos do Ensino Fundamental 2 estão em casa, com as emoções à flor da pele. Nesse cenário de instabilidade coletiva e individual, a leitura pode ser um espaço de refúgio para abaixar a ansiedade, superar o tédio e estimular a criatividade.

Apesar de acreditar que sempre é tempo de se dedicar à Literatura, o especialista em ensino de Língua Portuguesa, Claudio Bazzoni, avalia que o período pode ativar um ciclo que é virtuoso: “O momento pode ser favorável para o surgimento de um hábito novo”, afirma o coordenador e professor do Colégio Santa Cruz. “Em tempos normais, o livro compete com muitos outros afazeres. Agora, ele pode ocupar parte importante da rotina dos jovens e, também, de toda a família.”

Para Bazzoni, o momento de leitura pode ser compartilhado em casa, com a leitura em voz alta do título escolhido. Quando a atividade é feita assim, em conjunto, o leitor pode fazer um papel de ator e interpretar a história – modelando a entonação, cadência e timbres -, além de compartilhar as suas impressões do livro.

Ler junto com a família também reforça laços afetivos do grupo: “O leitor se forma pelas relações afetivas. Criar essa atmosfera entre pais e filhos por meio da leitura traz até uma sensação maior de segurança para os jovens”, avalia a professora de Língua Portuguesa e formadora de professores, Gizele Caparroz.

A leitura coletiva com os colegas de classe também é recomendada tanto em web aulas (síncronas) quanto em grupos de Whatsapp (assíncronas), com a troca de áudios de trechos livros, por exemplo. “Importante essa atividade não ser ‘escolarizada’, mas mais livres, para estimular a curiosidade e a participação”, alerta Gizelle, que também é professora do Colégio Sidarta.  

Para aguçar a busca por títulos, ela recomenda que os professores deem um empurrãozinho, organizando a socialização das experiências de leitura e a produção de resenhas. Ler em grupo também pode ‘puxar’ o interesse pelo assunto por alunos pouco afeitos à leitura (aqui listamos outras estratégias para quem diz que não gosta de ler) .

Dicas para a escolha dos livros 
Para Clemari Marques Ribeiro, professora de Língua Portuguesa e formadora de professores, dois gêneros literários podem despertar especial interesse dos estudantes do Fundamental 2 neste período de quarentena: títulos de história/biografias e de aventura (confira aqui uma lista de indicações de algumas obras para indicar para seus alunos).

Os livros com depoimentos de pessoas que passaram por longos períodos em isolamento motivado por guerras podem conectar o jovem de agora com momentos tensos vividos por pessoas reais no passado. “São livros nos quais os estudantes podem se colocar no lugar dos protagonistas para perceberem que o momento atual não é tão horrível assim”, analisa Clemari. Na outra ponta, livros de aventura podem deslocar as mentes preocupadas para lugares de magia. “É uma fuga da realidade que estimula os sentidos e a criatividade”, conta.

Os formatos para fruição das leituras poderão variar, de textos impressos a digitais, o importante é o professor recomendar títulos interessantes e adequados à faixa etária, além de também instigar a busca, entre os próprios estudantes, por gêneros e formatos que já tenham demonstrado afinidade.


Em resumo

1. Nesse momento de pandemia, a leitura pode ocupar um espaço importante da rotina dos alunos do Ensino Fundamental 2.
2. A leitura pode ser compartilhada com os familiares, fortalecendo os laços afetivos.
3. O professor pode incentivar esse momento tanto em aulas virtuais quanto em grupos de WhatsApp, com cuidado para não "escolarizar" demais a experiência.
4. Títulos relacionados a momentos históricos, biografias e livros de aventura são boas indicações para o momento.
5. Para auxiliar os estudantes, os professores podem recomendar títulos adequados à faixa etária e que despertem o interesse dos jovens. 



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