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Quais metodologias ativas utilizar no ensino de Matemática?

Lilian Bacich reflete sobre quais estratégias podem ser desenvolvidas para a disciplina, inclusive nas aulas a distância

Por Miguel Martins

Estratégias como a rotação por estações e a sala de aula invertida podem ser aproveitadas na Matemática. Ilustração: Micro One/Deposit Photos/Caronte Design

Em aulas presenciais ou a distância, a Matemática exige um olhar prático para que os números ganhem vida em contextos vividos pelos alunos. Nessa perspectiva, o ensino híbrido e a adoção de outras metodologias ativas traz várias vantagens para a aprendizagem dos estudantes.

Primeiro, porque algumas metodologias oferecem estratégias muito interessantes para o aprendizado de conceitos matemáticos. Segundo, porque se aplica bem ao momento: é da própria natureza do ensino híbrido trabalhar com o ensino online, ainda que mediado, em circunstâncias normais, pelas aulas presenciais. Conheça, abaixo, algumas estratégias sugeridas pela formadora de professores e especialista em metodologias ativas Lilian Bacich:

Rotação individual e por estações
Lilian aconselha que os professores de Matemática dêem especial atenção a duas estratégias de ensino híbrido: a rotação individual e a rotação por estações. A primeira envolve a elaboração pelos professores de roteiros individuais para os alunos, que devem percorrer estações variadas, nas quais se pode oferecer materiais diversos como livros, apostilas, sites, vídeos, reportagens, jogos etc. A rotação por estações é semelhante, mas envolve trabalhar em grupos com outros alunos.

“A rotação individual é uma das estratégias do ensino híbrido em que se consegue olhar muito bem para o desempenho dos alunos e descobrir em que nível de aproximação dos conceitos matemáticos eles estão”, comenta Lilian, que é autora dos livros Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação e Metodologias ativas para uma educação inovadora (Editora Penso).

Para a especialista, a rotação por estações também funciona muito bem, pois envolve a troca e construção colaborativa de conhecimento pelos alunos. “Quando pensamos na zona de desenvolvimento proximal idealizada por Lev Vygotsky, a troca com um colega que já entendeu e domina o conteúdo pode ser mais interessante do que focar apenas na troca com o professor”.

O interessante dessas duas metodologias, diz Lilian, é que elas já envolvem o uso de ferramentas digitais, o que facilita sua adaptação para o ensino remoto. “Tanto na rotação por estações como na rotação individual, eles vão ter algum contato com o recurso digital. Pode ser uma plataforma como a Khan Academy ou específica para matemática, como a Matific. 

Na hora de pensar em usar esse tipo de metodologia a distância, Lilian ressalta que é importante obter o máximo de informações sobre os alunos, seja no modelo de aulas em tempo real ou não. “Quando o ensino remoto se resume à explicação do professor e a entregas de atividades por alunos, não se está trabalhando com metodologias ativas”, alerta. “É importante quebrar a lógica de que a educação online é só para entregar. Ela tem de envolver uma ajuda aos alunos para trilharem um percurso de aprendizagem a partir de provocações feitas pelo professor”.

Gamificação
Além da rotação individual e por estações, há outras metodologias interessantes para se pensar na aprendizagem da Matemática. Lilian diz que a gamificação, que consiste no uso de elementos de jogos para se alcançar objetivos de aprendizagem, pode ser uma estratégia interessante não apenas para a Matemática, mas para todas as disciplinas. É importante, porém, não confundi-la com o uso de games nas aulas. “A gamificação envolve trilhas a serem cumpridas. Assim que se resolve uma trilha, recebe-se outras propostas. A gamificação pode estar até envolvida nesse modelo de rotação individual”, sugere Lilian.

Sala de aula invertida
Sobre a sala de aula invertida, que envolve a necessidade de o aluno ter contato prévio com temas a serem trabalhados pelo professor, Lilian considera que a metodologia pode ser mais difícil de aplicar no caso da Matemática. A preocupação é que a dinâmica não fique apenas no mundo dos conceitos. “Na Matemática, o mais interessante é ter recursos para resolver os problemas, encarar desafios e pensar como resolvê-los.”

É possível sugerir aos alunos que coletem dados sobre como as pessoas têm se alimentado na pandemia, por exemplo, ou alguma atividade prática de probabilidade para que eles possam construir um contexto para desenvolver em aula, seja presencial ou a distância.

De um modo mais amplo, Lilian recomenda que se busque sempre pensar no esforço produtivo ao trabalhar a disciplina. “É importante que a aprendizagem de Matemática esteja relacionada a desafios que se impõem aos alunos para eles resolverem resolvam situações-problema.” Ela lembra que não se trata dos clássicos problemas da disciplina, “alguns sem pé nem cabeça”, como uma mãe que compra uma infinidade de produtos no supermercado sem nem ter como carregá-los. “Às vezes, o problema é tão fictício que não se pode nem considerar uma situação-problema.”

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