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Aprendizagem Baseada em Projetos: o que é e como utilizá-la nas aulas a distância

Conheça a metodologia que prevê investigação e trabalho coletivo e entenda como ela pode ser aplicada remotamente

Crianças estudando através de conteúdos online. Ilustração: Estúdio Kiwi/NOVA ESCOLA

Há muitos anos professores e especialistas discutem as dificuldades de engajar os alunos em aulas expositivas. Se esta já era uma realidade antes da pandemia por coronavírus, quando o ambiente passa a ser o virtual, o desafio se torna ainda maior. Com tantas distrações disputando a atenção dos estudantes em casa, as aulas a distância precisam despertar a curiosidade deles. Uma estratégia é colocá-los como protagonistas do próprio aprendizado, utilizando as metodologias ativas.

Esse é o conceito-chave da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP). A metodologia convoca os estudantes a aprenderem conteúdos por meio da investigação e do trabalho coletivo. Ao propor a resolução de um problema, ou de uma questão norteadora, por meio de uma série de etapas, instiga o pensamento crítico e a criatividade. 

O projeto pode nascer tanto de uma curiosidade do aluno quanto de uma questão desafiadora proposta pelo professor. “Neste segundo caso, o docente precisa estar atento para não impor algo que o estudante não esteja interessado, se não vira mera pesquisa”, observa Ana Lucia Souto, criadora de conteúdos da Khan Academy no Brasil.

No contexto da quarentena, são inúmeras as questões a serem observadas e investigadas. “O próprio café da manhã pode ser objeto de pesquisa”, exemplifica a educadora. Deste tema, podem surgir perguntas como: por que algumas misturas de líquidos são homogêneas e outras heterogêneas? O que é mais fácil separar: mistura entre líquidos ou mistura entre sólidos? 

Com o objeto de pesquisa escolhido, o projeto começa a ganhar corpo. “O interessante do trabalho com projetos é que ele prioriza a organização. Há uma rota, estruturada em etapas, para se chegar a determinada finalidade”, explica Leandro Holanda, especialista em Tecnologias Educacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e gestor de Tecnologia e Inovação na Tríade Educacional. O resultado final deve ser algo construído pelos estudantes, como um relatório ou um artefato, por exemplo. (veja aqui um modelo de roteiro para planejar uma proposta de ABP.)

Os projetos podem ser desenvolvidos em duplas, trios ou grupos maiores e são, muitas vezes, realizados interdisciplinarmente. “O aluno pode aprender Ciências, Matemática, História e Português por meio de um único projeto. Ao trazer essa pluralidade de conhecimentos, a ABP o ajuda a visualizar que os saberes não são segmentados”, explica Renata Capovilla, formadora de professores e sócia da Íntegra Educacional. Para elaborar uma proposta conjunta, o diálogo entre os educadores é essencial. A troca, que pode ocorrer mesmo neste período, permite discutir como interligar de maneira significativa os objetivos de aprendizagem das diversas áreas de conhecimento. “Além disso, por ser uma proposta colaborativa, faz com que o estudante desenvolva competências e habilidades, tais como comunicação, liderança e empatia”, completa Renata, lembrando algumas das habilidades indicadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 

A duração das propostas é variável: pode perdurar algumas semanas ou, até mesmo, um semestre inteiro. Quanto maior o tempo, maior será o potencial de aprofundamento. No entanto, no contexto das aulas em casa, o ideal é pensar em percursos não muito extensos para não sobrecarregar alunos e professores. Também é necessário refletir sobre estratégias para mediar o trabalho coletivo (confira aqui sugestões para acompanhar os trabalhos remotamentee para manter o estudante engajado. Uma ideia para este momento de isolamento é envolver a família. “Os pais ou responsáveis podem participar da discussão de uma hipótese ou o educador pode incluir, em uma das etapas do projeto, a realização de uma entrevista com os avós por telefone”, sugere Leandro.

Daniela Ilhesca, professora da EMEF Arthur Pereira de Vargas, em Canoas (RS), atenta para o potencial da ABP de propor soluções para os desafios locais. “Neste momento de pandemia, também é interessante pensar em problemas disparadores cuja resolução venha em prol da comunidade, do entorno ou dos próprios estudantes, como a questão da saúde mental”, propõe a docente. Aproximá-los de situações do cotidiano e garantir um contexto significativo para o aprendizado ampliam as chances de conseguir a atenção dos jovens. 

Por que utilizar ABP na quarentena?
- Prioriza a organização, com cronograma, etapas e finalidade definidos, o que gera segurança para o aluno;
- Estimula o trabalho em grupo, o que promove a troca entre os estudantes e diminui a sensação de isolamento;
- Aumenta o engajamento dos alunos na realização das tarefas;
- Possibilita o desenvolvimento das competências e habilidades socioemocionais definidas pela BNCC.

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