Para replanejar

Como replanejar 2020 em História para o Fundamental 2

Conheça alguns caminhos para redesenhar o ano letivo com as turmas do 6º ao 9º ano no componente curricular

O momento atual pode ser aproveitado nas aulas de História para fazer conexões com o passado. Ilustração: Nathalia Takeyama/Nova Escola

Com o distanciamento físico entre alunos e professores imposto pela pandemia do coronavírus, definir conteúdos tornou-se a principal orientação para os docentes por parte dos consultores em Educação. “Não será possível abarcar tudo o que foi planejado para 2020 neste cenário, isso precisa ficar nítido. O que estamos recomendando é que cada rede faça um diagnóstico de sua realidade e verifique o que é mais interessante abordar no contexto atual”, observa Sherol dos Santos, doutoranda em História pela UFRGS, formadora de professores e consultora responsável por esta caixa. Ligada à rede estadual do Rio Grande do Sul, Sherol responde a algumas dúvidas sobre o que oferecer na disciplina de História para as turmas do Fundamental 2:

Por onde começar o replanejamento em História com as turmas do 6º ao 9º ano? 

Não há um único modelo a ser seguido,mas é preciso ter consciência que será impossível dar conta de todo o conteúdo didático planejado para 2020. Para começar, Sherol recomenda que se faça um diagnóstico da situação, para saber o que priorizar. 

O 6º ano, de forma geral, merece mais atenção porque é uma fase muito complexa para os estudantes. Os alunos estão chegando aos anos finais do Fundamental, entrando numa outra realidade escolar, e poucas aulas presenciais aconteceram em 2020. Ao contrário das turmas mais adiantadas, que já são mais conhecidas dos professores, os alunos do 6º ano estão sendo apresentados remotamente e isso muda tudo. 

Nesse diagnóstico, cada professor deve avaliar quais conceitos que já foram apropriados por sua turma, pois é a partir daí é que vão ser planejadas as ações. “Penso que para o 6º ano o mais importante é que o aluno tenha contato com conceitos como tempo, sujeito histórico, fontes históricas – o que é a História, em suma. São conteúdos que exigem abstração e para crianças menores isso é um grande desafio”, analisa Sherol. Nos outros anos, o diagnóstico também é importante para o professor elencar prioridades e fazer escolha das habilidades essenciais. “É preciso lembrar que temos realidade muito diferentes, inclusive dentro da mesma escola”, reforça. 

Como o professor de História pode engajar e se comunicar com os estudantes durante as aulas remotas?

Sherol aponta que há duas dimensões que o professor precisa levar em conta: a socioemocional e a técnica. “Precisamos deixar as crianças e jovens confortáveis para fazer suas perguntas, eles precisam ter espaço para colocar angústias, dúvidas. Estabelecer essa relação é importante tanto para o aluno como para o professor. A dimensão técnica de acesso às aulas também é fundamental. Algumas redes disponibilizam ferramentas, outras não”, observa. “De qualquer forma, é preciso garantir que o conteúdo chegue ao aluno”. 

Caso o professor verifique que seus alunos não podem acessar a Internet, é possível se articular para oferecer materiais como textos e aulas assíncronas para o aluno baixar e assistir depois. Outro ponto  é que a aula remota não pode ser espelho da sala de aula. Muitas vezes, manter a mesma carga horária no ambiente retomo torna-se cansativo e improdutivo para todos. O momento síncrono, aconselha Sherol, pode ser melhor aproveitado para conversas e trocas entre o professor e os estudantes. “Entendo que agora o essencial é garantir a aprendizagem, mais do que o domínio do conteúdo. Isso significa que não interessa tanto saber de cor os períodos da História do Brasil ou o nome de todos os presidentes do país. O importante, para o aluno, é saber operacionalizar conceitos”, defende. 

Assim, o momento pode ser aproveitado para conversar sobre o que estamos vivendo hoje e fazer relações com o passado. “Sugerir aos alunos, por exemplo, pesquisar a história das doenças, como foram criados os hospitais ou levantar quais as grandes pandemias que já passaram pelo mundo. Trazer os alunos para esses temas de pesquisa é uma forma de engajá-los, porque estamos falando da realidade”, exemplifica. 

Outra sugestão é oferecer aulas interdisciplinares e projetos transversais. “Pegando o tema das pandemias, em Matemática, os alunos podem trabalhar com gráficos comparando os números de doentes e mortos por outras doenças. Em Geografia, uma ideia pode ser analisar a disseminação das doenças pelo mundo. Se fizer assim, o professor vai ter aí habilidades diversas sendo trabalhadas”, afirma. 

Como avaliar o aprendizado remotamente ao longo de todo o processo durante a quarentena?

A especialista sugere que, neste momento, o professor de História do Fundamental 2 trabalhe com a avaliação processual, mais focada no conhecimento do aluno. “Não dá para avaliar só por uma prova, objetivamente. O professor precisa colher evidências das aprendizagens durante as aulas, sejam elas físicas e objetivas, como um trabalho entregue, por exemplo, ou seja uma análise de como a criança está respondendo à matéria. Tudo isso vai ter de entrar nesse processo de avaliação”, aconselha Sherol, ressaltando que, nas as aulas remotas, algumas dificuldades, como de interpretação de texto e leitura, podem se acentuar e isso precisa ser levado em consideração pelo professor. 

O que o professor deve fazer quando não há possibilidade de acesso à Internet para o aluno?

Embora essa questão não dependa apenas do professor, mas de toda a comunidade escolar, é preciso trabalhar para que a informação chegue até o aluno. “Se não há acesso à tecnologia para todos, que o material seja impresso, para que os pais possam retirar na escola em algum momento, ou que a própria escola se encarregue disso chegar até os estudantes. Isso precisa ser bem planejado”, sugere Sherol.  Outra possibilidade é oferecer aulas que fiquem gravadas, para o aluno possa acessar quando puder. “Num país tão desigual, muitas crianças não têm como acessar a tecnologia; algumas até têm, mas às vezes de forma precária. Mas é obrigação da escola achar saídas para essa situação”, diz.  

Como organizar uma eventual volta para a sala de aula? 

Antes de tudo, será preciso muita paciência. Para Sherol, nas primeiras semanas, será difícil dar aula, porque a ansiedade das crianças estará alta. “Será um momento de mudanças profundas, que vai exigir muitos cuidados, tanto físicos como emocionais, para dar conta de todas as questões”, avalia. No entanto, se o professor conseguiu eleger temas prioritários, trabalhou com eles remotamente e conseguiu fazer avaliações processuais, recolher evidências de aprendizagem, esse retorno será mais tranquilo. Já aqueles que precisaram trabalhar com atividades impressas e mais espaçadas precisarão dedicar um tempo para retomar essas aprendizagens e reavaliar presencialmente como esses alunos progrediram.

Que tipo de sondagem/avaliação o professor pode conduzir para descobrir como está a aprendizagem da maioria dos estudantes da classe? 

Isso deve ser feito desde as aulas remotas. Ao preparar a avaliação processual, o professor deve elaborar um registro da aprendizagem dos alunos. Na volta, eles vão precisar ser reavaliados em alguns pontos. Mas, tendo em mãos a avaliação já feita, fica mais fácil saber o que precisa ser retomado com cada aluno, de acordo com suas dificuldades, ou o que eles de fato aprenderam. 




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