Parceria:

Para repensar a escola

6 sugestões para melhorar a relação entre gestores e professores

Estabelecer diálogos francos e tomar decisões em conjunto são opções para estreitar vínculo durante o isolamento

Fortalecer a parceria entre gestores e professores contribui para o bem-estar de todos. Julia Coppa | NOVA ESCOLA

A boa relação entre professores e gestores prevê respeito, diálogo, apoio mútuo e valorização do trabalho de todos. Mas nem sempre é o que acontece. Se já era possível ocorrerem desentendimentos entre a equipe no período de aulas presenciais, agora que todos estão enfrentando novos desafios por conta do ensino remoto, os ruídos de comunicação podem ser mais frequentes. Além de dificultar o processo de ensino e aprendizagem, os desgastes afetam a saúde mental de toda a comunidade escolar. 

“O gestor é responsável por orientar, apoiar e oferecer condições (espaço adequado, material didático, formações etc.) para que o trabalho da equipe seja bem-feito”, explica Camila Fattori, psicóloga e coordenadora de gestão da Comunidade Educativa CEDAC. Porém, nem tudo pode ser garantido por ele e, em algumas situações, isso incomoda os professores. Em um momento de grandes mudanças e incertezas, como o desta pandemia, coordenadores e diretores podem não ter respostas satisfatórias ou precisas sobre algumas dúvidas.

Como os docentes, muitos gestores também se sentem cobrados. “Além da necessidade de conscientizar famílias e organizar o ensino remoto, o trabalho burocrático é muito grande. Preciso a todo momento comprovar o que eu e minha equipe estamos fazendo”, conta Ana Terra, diretora da EE Herculano Martins, em Montezuma (MG). “Existe uma sobrecarga que me atinge de várias maneiras. Há dias em que o cansaço é maior, eu choro, sinto um desespero.”

Se está difícil para todos, por que não se unir? Conversamos com profissionais da educação para preparar cinco sugestões de como melhorar a relação entre a equipe.

1. Entender como oferecer e receber apoio, mesmo a distância

Há problemas que afetam o docente e podem ser resolvidos pelo gestor, outros não (como o falecimento de um familiar, por exemplo). Independentemente do que seja,  ignorar que há algo acontecendo é a pior atitude. Diretores e coordenadores pedagógicos precisam buscar maneiras de ouvir e acolher sua equipe. A distância é, sim, fator prejudicial para estabelecer esse contato. “Com o trabalho remoto, as condições de apoio do gestor estão menores diante de uma necessidade maior dos professores”, diz Camila. Ainda assim, cabe a gestores e professores pensarem em estratégias para manter o vínculo e se apoiar uns aos outros: videochamadas, contato telefônico, mensagens por aplicativos etc. Qualquer que seja o meio de comunicação escolhido, o importante é estabelecer uma rotina de troca.

2. Tomar decisões de modo conjunto

A valorização de qualquer profissional passa por se sentir importante para a equipe. “Na escola, uma boa relação se constrói na medida em que os professores são ouvidos para tomar decisões. Quando elas chegam de cima para baixo, há um problema”, esclarece Sônia Guaraldo, doutoranda em Educação pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e consultora do programa Formar, da Fundação Lemann, mantenedora de NOVA ESCOLA. Os gestores devem, então, propiciar um espaço de troca, no qual o diálogo é aberto e os docentes sintam confiança e liberdade para expor suas posições. Agora, isso significa, por exemplo, definir coletivamente como o ensino remoto é conduzido, como a escola vai se preparar para o retorno às aulas presenciais e como será o replanejamento, considerando não ser possível cumprir o cronograma inicial. Por outro lado, os professores podem assumir posturas de parceiros efetivos, que se interessam em resolver as questões. Afinal, isentar-se da tomada de decisões, delegando-as exclusivamente aos gestores, pode não ajudar nessa relação. 

3. Revisar processos de trabalho

Por mais que, em tese, todos da equipe saibam quais são as funções do cargo de cada um, quem se sente sobrecarregado (constantemente ou em uma situação específica) precisa verbalizar esse desconforto. Só assim será possível rever os esquemas e combinados. Isso se torna mais importante neste período de aulas remotas, em que surgiram novas demandas. Quando não há conversa, as questões não se resolvem e aumentam as chances de danos na saúde mental. “Quanto maior for a transparência nos processos de trabalho, mais a equipe saberá o que cada um está fazendo, o que mais pode fazer e como oferecer ajuda”, comenta Sônia.

4. Estabelecer uma comunicação franca

Nem toda conversa é fácil, principalmente em um contexto pandêmico. Entretanto, adiar assuntos importantes pode provocar mal-estar pessoal e profissional em toda a equipe. Diego Felipe Raymundo é professor de Educação Física e dá aulas para turmas da Educação Infantil ao Ensino Médio em duas escolas de Guarulhos, na Grande São Paulo - uma estadual e a outra particular. Ele conta que, por causa da pandemia, perdeu algumas aulas na instituição privada, mas ficou contente por ter sido procurado pelo seu gestor para uma conversa franca a respeito. O diretor explicou as dificuldades financeiras da escola, que teve o número de alunos reduzido pelo fato de muitos pais terem perdido seus empregos e não estarem conseguindo arcar com as mensalidades. “Fico inseguro e com medo de ter minha jornada ainda mais reduzida, mas entendi que a situação é difícil para todos”, reflete Diego. 

5. Conversar sobre saúde mental

O contato da equipe não pode se restringir a resolver problemas relativos ao comportamento dos alunos, à comunicação com as famílias ou ao uso da tecnologia. Compartilhar o que está prejudicando a saúde mental pode contribuir para que o grupo encontre soluções coletivas para muitas das questões (leia aqui sugestões de ações que podem ser desenvolvidas em grupo para melhorar a saúde mental de todos). “Começo todas as videoconferências com uma mensagem de motivação e os estimulo (professores) a cuidar de si e separar um tempo para o convívio com a família”, conta a diretora Ana Terra. “Também convidei uma pedagoga com doutorado em Psicologia para nos orientar sobre como trabalhar respeitando os limites pessoais.”

6. Cuidar de si

Nenhuma das sugestões anteriores será suficiente para manter o clima de tranquilidade e parceria caso as conversas sobre saúde mental, citada acima, não se reflitam em ações práticas. Ou seja, sem cuidados pessoais com a saúde física e psicológica. O professor Diego Felipe, por exemplo, conta que começou a praticar ioga por estar estressado. “Sugiro aos meus colegas educadores tentarem colocar exercícios dentro da rotina, pois eles liberam endorfina, hormônio que causa a sensação de bem-estar.” Há outras opções para relaxar (confira algumas aqui). O essencial é procurar o que faz sentido para você. 

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