Para repensar a prática

Por que o seu aluno não quer ligar a câmera na videoaula?

Timidez, cansaço… Os motivos são variados. Criar regras - junto com a turma - sobre o uso do dispositivo é a melhor saída

Definir com os alunos momentos para ligar e desligar a câmera pode ajudar a turma a se sentir mais à vontade. Ilustração: Pedro Hamdan/NOVA ESCOLA

Há quatro meses, ter aulas por meio de plataformas síncronas era uma novidade para professores e alunos. As telas eram preenchidas por um mosaico colorido com os rostos enquadrados de todos em suas casas. O tempo passou e as telas foram ficando mais escuras: muitos estudantes não têm ligados as câmeras. O que aconteceu? “Aulas com câmera ligada são outra coisa! O professor consegue ler a expressão facial e corporal dos alunos e compreender se as questões geraram dúvidas, por exemplo”, sintetiza Tiago de Pàula Cunha, coordenador pedagógico da Sant'Anna International School, de Vinhedo (SP).

Muitos motivos podem justificar a atitude. A fadiga do formato de aula remota somada ao distanciamento dos colegas pesa: “Existe um cansaço geral tanto por parte dos professores e quanto dos alunos”, aponta Adriana de Melo Ramos, coordenadora do curso de pós-graduação em Relações Interpessoais na Escola do Instituto Vera Cruz, em São Paulo (SP), e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM) da Unicamp. Ela alerta também para os alunos que têm vergonha da casa, que não têm um espaço adequado de estudo ou que têm espaços domésticos muito barulhentos. Há ainda, especialmente entre adolescentes, o medo de virarem alvo de piada para o caso de algo acidental acontecer com a câmera ligada, como algum familiar passando atrás apenas enrolado numa toalha ou alguma conversa particular vazar.

Mas para além desses pontos, Adriana alerta para outra situação preocupante: a indisciplina passiva, que identifica os alunos que não interagem em aula. “Apesar de haver muitos motivos que justifiquem a câmera fechada, existem aqueles que não a abrem porque não querem. E abrir a câmera está ligado ao ‘eu me importo com você’”, analisa.  No contexto de isolamento social, atitudes de indiferença pesam ainda mais emocionalmente. 

Para a especialista, o tema precisa ser debatido com o grupo. “Pode-se abrir uma roda de conversa e juntos, todos definem regras sobre como podem conduzir dali por diante, incluindo até mesmo as famílias”, afirma. Entre as regras possíveis estão desde a obrigatoriedade da abertura constante da tela até a de combinar as aberturas em alguns momentos das aulas. As condições de infraestrutura das famílias também precisam estar no radar das escolas já que, em algumas casas, as conexões podem ficar comprometidas em qualidade quando a câmera é acionada.

Mas os professores também precisam ficar atentos: aulas pouco estimulantes e que exigem pouco a participação dos alunos geram apatia (já geravam nas aulas presenciais!). Um caminho é encarar a situação adversa como oportunidade para aumentar a interação com a turma e tornar a aula mais atrativa. Luciana Santos, coordenadora de projetos na Foreducation EdTEch, sugere propor um sorteio durante as aulas. Os escolhidos irão responder à pergunta feita ou mostrar algum ponto do trabalho. “É uma forma de gamificar a aula”, comenta. Outra ideia pode ser a de propor dias de aulas em que os alunos estarão fantasiados, ou vestidos com pijamas, ou com roupas de gala, motivando a exibição da própria imagem.

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