De professor para professor

“Com os games, os estudantes deixaram de ver o erro como uma punição”

Conheça a história de Leandro Mendonça do Nascimento, professor de Matemática no Rio de Janeiro. Quando ele começou a criar os próprios jogos eletrônicos e trabalhá-los em aula, a apatia da turma acabou

Ilustração de professor com elementos de video games sobre uma mesa.
Ilustração: Nathália Takeyama/NOVA ESCOLA

Quer saber como um professor de Matemática tem trabalhado jogos eletrônicos com seus alunos? No relato abaixo, Leandro Mendonça do Nascimento conta como passou a desenvolver games com foco na aprendizagem e no uso na gamificação como ferramenta metodológica. Confira!

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“Precisamos nos valer de tecnologias que estão ao alcance da garotada”

Por Leandro Mendonça do Nascimento

Minha história com os jogos eletrônicos tem a ver com a vontade de mudar a perspectiva que os alunos tinham da Matemática. Queria que o estudo da disciplina fosse divertido e desafiador para eles. E não algo engessado, rígido, como era até então. 

Tudo começou em 2016, quando eu fazia mestrado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Eu e meu colega Rafael Costa passamos a desenvolver jogos eletrônicos em algumas plataformas de criação de atividades disponíveis na internet, como Wordwall, Kahoot e Quizizz (leia mais sobre esses recursos aqui). Para desenvolver os games, consideramos as necessidades dos alunos, os interesses deles em personagens e temáticas e nas habilidades matemáticas que queríamos que desenvolvessem. 

A partir de então, tomo muito cuidado para manter o foco na aprendizagem, não trabalho com os games de forma isolada. Uso a gamificação como ferramenta metodológica, inserindo elementos dos jogos, como a superação de fases, a competição entre equipes e a colaboração entre pares para manter a turma motivada o ano todo e numa posição protagonista.

No início, lancei mão dos super-heróis, como Homem-Aranha, Hulk, Capitão América e Super-Homem, e construí jogos eletrônicos de tabuleiro, caça-palavras e outros games em que a turma tinha de solucionar problemas relacionados à equação de segundo grau e a operações de multiplicação e divisão, por exemplo. 

Algo inédito que eu e Rafael fizemos foi usar o Geogebra, um software gratuito de Geometria, para construir jogos eletrônicos. Com ele, criei, por exemplo, um jogo de tabuleiro com super-heróis. Para jogar, é preciso solucionar problemas relacionados a operações com números inteiros, o que permite avançar as casas da trilha. Atualmente, nós dois trabalhamos com formação de professores especificamente sobre o uso do Geogebra para desenvolver jogos. 

Acho importante nós, professores, nos valermos das tecnologias que estão ao alcance da garotada, pois antes ficávamos restritos aos recursos da escola, como o projetor. Não precisa ser mais assim: mesmo quem não tem celular pode usar o aparelho dos colegas para fazer as atividades com games.  

Sei que pode parecer complicado fazer um game para usar com os alunos, mas as plataformas são muito simples de usar. O segredo é ir mexendo em cada uma delas e testar as ferramentas. Também existem muitos tutoriais na internet sobre cada site (confira algumas dicas). No mais, buscar parceria com outros educadores para trocar experiências e saberes é maravilhoso e ajuda muito. 

Confesso que, para mim, o maior desafio nessa história toda foi superar minha concepção de aula, abandonar o modelo tradicional para investir em uma dinâmica completamente diferente, em que os estudantes são os verdadeiros protagonistas. Antes, achava que para que eles aprendessem deveriam ficar quietos e se concentrar no que eu tinha a ensinar. Agora, vejo que a concentração aparece naturalmente quando os estudantes sabem que têm de entender os mecanismos dos games, pensar em conceitos matemáticos e nas habilidades relacionadas, para jogar e se dar bem. 

O resultado do uso de todos esses recursos em aula foi transformador. Se antes era comum ter alunos apáticos, o cenário mudou. Eles se engajaram. Deixaram de ver o erro como uma punição. Hoje, são obstáculos a serem superados – afinal, nos jogos sempre é possível e necessário aprender uma estratégia para avançar e mudar de fase. Fica claro que errar não determina o fim, faz parte de um processo de aprendizagem. 

Além disso, ao jogar, a turma vai se apropriando das dificuldades e dos conhecimentos que tem. Como professor, ao usar essas plataformas on-line, posso organizar os dados de participação e a pontuação dos alunos e consigo ver em que conteúdos e habilidades preciso concentrar os esforços para ajudá-los no desenvolvimento do conhecimento.


Leandro Mendonça do Nascimento, professor de Matemática no Ensino Fundamental 2 da Escola Profa. Dulce Trindade Braga, em Duque de Caxias (RJ), e da Escola Prefeito Juarez Antunes, no Rio de Janeiro (RJ).

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