Para usar com os alunos

A rota da peste: como as doenças viajam pelo mundo por meio do comércio

A Rota da Seda no século 14 é um exemplo de como bactérias e vírus se aproveitam do fluxo de mercadorias e pessoas para se disseminar

Por MIGUEL MARTINS (texto) LAÍS SEMIS (edição)

Crédito: Crônicas de Gilles Li Muisis

Em um mundo globalizado e conectado como o nosso, o novo coronavírus encontra condições para se espalhar velozmente. O transporte aéreo de cargas e pessoas, as viagens de trabalho internacionais e a aglomeração em aeroportos contribuem para a rápida disseminação da doença Covid-19 pelo mundo. Do anúncio dos primeiros casos na cidade de Wuhan, na China, em 31 de dezembro de 2019, até a declaração de pandemia pela Organização Mundial da Saúde, em 11 de março de 2020, passaram-se pouco mais de dois meses. 

Nem sempre as doenças se espalharam na história com tanta rapidez, como tem ocorrido atualmente. A peste negra, possivelmente a mais letal que já atingiu a humanidade em um curto espaço de tempo, disseminou-se de forma muito mais lenta pela Ásia e Europa no século 14. Mas, assim como o novo coronavírus se espalha a partir dos fluxos de pessoas e mercadorias, o bacilo da peste aproveitou-se do principal caminho comercial do mundo na época para se alastrar: a Rota da Seda. 



DICA
Associar a disseminação da peste à principal rota comercial do período pode ser uma ótima forma de trabalhar a habilidade. “(EF06HI15) Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, produtos e culturas no Mediterrâneo e seu significado”, prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de História do 6º ano do Fundamental.



O historiador francês Georges Duby registra que a peste veio do Oriente para o Ocidente através desse longo percurso. Na verdade, duas rotas que conectavam o sul e o norte da China ao Leste Europeu, passando por Índia, Mongólia, Índia e Pérsia (hoje, Irã). Na primeira etapa da travessia, a movimentação de mercadorias de luxo, tais como seda, ouro, prata, jade, âmbar e especiarias, dava-se por transporte terrestre. Caravanas de cavalos, burros e dromedários atravessavam um longo percurso por estradas que cortavam a Ásia e países como a Rússia e a Ucrânia.

Quando se alcançava, enfim, o Mar Negro, era necessário subir a bordo de navios para levar as mercadorias aos países do Mediterrâneo. Nesse trajeto, passava-se por Constantinopla – então capital do Império Bizantino, ponto de encontro entre a Europa e a Ásia – para depois chegar à Itália, Espanha, França e, finalmente, se distribuir por todo o continente.

Se as mercadorias demoravam a cruzar uma distância tão considerável, com as doenças não seria diferente. Segundo o livro 1348 – A peste negra, de José Martino, o bacilo da peste demorou algo em torno de 17 anos para se deslocar da Ásia Central, nas imediações do lago Issyk Kul, até a Sicília, primeira região europeia afetada. Entre 1348 e 1352, 25 milhões de pessoas morreram, cerca de um terço da população da Europa. A doença também chegou à China, como relatam cronistas da época, que, provavelmente com algum exagero, estimaram a morte de dois terços da população.

Confira abaixo, em detalhes, a rota da peste da Ásia para a Europa e os principais fatos históricos que levam a sua disseminação no período:

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É importante lembrar que as condições sanitárias e de alimentação da população europeia eram precárias no século 14, o que favoreceu a contaminação pela doença. A peste espalhou-se em um período de baixa produção de alimentos, por conta de chuvas abundantes que quebraram as safras.

Além disso, a Guerra dos 100 Anos entre França e Inglaterra também facilitou a contaminação, pois os cadáveres expostos ao ar livre estimularam a proliferação de ratos e pulgas, que picavam o ser humano e transmitiam a doença. Os centros urbanos europeus eram propícios para a disseminação da peste: lixo e detritos fecais acumulavam-se por toda parte e os açougueiros matavam animais a céu aberto.

Na zona rural, as condições não eram muito melhores. As casas eram úmidas, geladas e fedorentas, e também estimulavam a procriação de ratos. As necessidades eram feitas em baldes ou em moitas próximas às residências. Geralmente, dormia-se sem roupas e usava-se uma mesma peça por dias ou até semanas. A Igreja também não aconselhava o ato de banhar-se, por considerar o toque no corpo algo pecaminoso.



DICA
A peste também permite trabalhar com os alunos de 6º ano a habilidade “(EF06HI16) Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferentes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos”.




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