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Melhorando a comunicação

Linha direta entre casa e escola

Estabelecer uma comunicação clara e efetiva com os familiares dos pequenos é um dos primeiros passos para garantir o sucesso das atividades propostas a distância

O papel dos educadores é sugerir caminhos para que famílias e crianças possam enriquecer sua convivência durante a quarentena. Ilustração: Estúdio Kiwi

Neste momento de pandemia, tão importante quanto a dedicação para planejar as estratégias pedagógicas mais adequadas para a situação é compartilhar o planejamento com as famílias das crianças. Ainda mais quando se trata das que fazem parte da Educação Infantil. Por serem ainda muito pequenas, elas precisam demais do apoio da família para seguir sendo estimuladas a se movimentarem, criarem, brincarem e se manterem interessadas em aprender. 

Engajar pais, tios, avós ou até mesmo irmãos mais velhos é mais um dos novos desafios dos educadores. “É necessário sensibilizar os familiares para mostrar a importância que eles têm em todo o processo educativo das crianças. Eles precisam compreender o quão significativo é ter um adulto que as escute e que promova interações simples, porém ricas, como conversas e brincadeiras”, explica Vládia Pires, supervisora pedagógica de Educação Infantil na Secretaria Municipal de Campina Grande (PB). É assim que os pequenos vão continuar se desenvolvendo enquanto não voltam à escola. Apesar disso, é preciso ter claros os limites entre casa e escola, educadores e familiares: ainda que todos tenham o mesmo objetivo – garantir a qualidade de vida e tentar minimizar os prejuízos das aprendizagens dos pequenos –, os papéis que desempenham não são os mesmos. As famílias não têm a responsabilidade de substituir os educadores. O que se espera deles é apoio, estruturando a rotina das crianças e acompanhando as atividades.

“Sem as famílias, nenhum trabalho poderia ser feito, e elas precisam se sentir valorizadas”, afirma Gabriela Macedo, formadora de Educação Infantil da Comunidade Educativa CEDAC. Para conseguir comunicar essa importância e convidá-las para uma parceria, é preciso cultivar um diálogo contínuo e cuidadoso ao longo do tempo, dia após dia. “É interessante que os educadores não se sintam preocupados em revelar seus próprios medos em relação ao momento de incertezas em que vivemos, ao mesmo tempo que precisam estar abertos às possíveis insatisfações e pedidos de ajuda que, certamente, vão receber”, diz Gabriela.


Para a hora da conversa

Confira dez sugestões para conduzir a conversa com as famílias e engajá-las no desenvolvimento das atividades com as crianças.

1. Cuide para usar uma linguagem simples, clara e objetiva nas mensagens - de texto, áudio ou vídeo. Não se preocupe em “falar bonito”. O mais importante é se fazer entender e se mostrar próximo.

2. Dê espaço para os familiares sugerirem qual meio de comunicação será utilizado entre vocês. Se possível, crie um grupo com um adulto responsável por cada criança da turma – no WhatsApp ou Facebook, por exemplo, para facilitar o envio de comunicados e propostas para as crianças. Ao mesmo tempo, os grupos podem funcionar como espaço de interação entre os familiares e você e entre eles mesmos, que podem se ajudar trocando ideias etc.

3. Na conversa inaugural, apresente-se de modo a se aproximar do grupo de adultos. Não é necessário expor sua intimidade, mas lembre-se de que todos estão em casa e que você vai entrar na vida deles, ainda que apenas por vídeo ou WhatsApp, várias vezes por semana! Revelar alguns detalhes de sua vida pessoal pode ajudar a se tornar uma pessoa mais próxima de todos. Você pode, por exemplo, mostrar seus filhos, seu bichinho de estimação ou as plantas que cultiva.

4. Peça ajuda para os familiares entrarem em acordo sobre os horários de uso e os objetivos do canal de comunicação entre você e eles, deixando claro quais são os assuntos que podem ser tratados e quais não fazem sentido aparecer (por exemplo, questões políticas). Mantenha esse canal de comunicação aberto, fazendo contato periodicamente para estimular que ele continue ativo e atrativo. Não faz sentido usá-lo somente para avisar que disponibilizou novas atividades para os pequenos, muito menos somente para cobrar os familiares sobre o envio de registros das crianças fazendo as propostas.

5. Antes de enviar cada atividade, organize uma mensagem sobre o que espera dos adultos e o que têm em mente que elas façam. Reforce o papel de apoio das famílias, para que não se sintam pressionadas ou sobrecarregadas e tentem substituir o que é responsabilidade da escola.

6. De forma rotineira, use o canal de comunicação combinado para perguntar sobre o andamento das atividades, questione se o ritmo de envio está adequado e demonstre interesse em saber as dificuldades das crianças e das famílias.

7. Valorize as respostas recebidas, preste atenção ao que está dando certo e compartilhe com todos. Além de ser uma injeção de ânimo, dessa comunicação podem surgir boas e novas pistas sobre como continuar o trabalho a distância.

8. Ofereça oportunidades de conversas individuais com as famílias e as crianças, para tratar de assuntos mais específicos ou delicados.

9. Estimule que as famílias façam registros das crianças desenvolvendo as propostas, que podem ser fotos, vídeos, áudios, textos ou relatos por meio de uma ligação telefônica. Isso é útil para que você acompanhe o que está acontecendo, avalie cada criança e possa comunicar boas práticas à equipe da escola.

10. Dê retornos sobre o desenvolvimento de cada criança e aproveite esse momento para ressaltar os pontos em que a atuação dos adultos foi importante para o sucesso da proposta. Lembre-se de que todo mundo gosta de ser elogiado. Ao destacar a relevância do papel da família, você estimula que ela siga empenhada.

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