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Acolhimento e parceria

Separados pelo isolamento, juntos pela aprendizagem

Abra espaço no planejamento para conhecer a família de cada criança, aproxime-se delas e dê espaço para que contem sobre sua realidade

Um dos principais usos dos canais de comunicação com as famílias é acolhê-las para compreender a situação que estão vivendo e pensar em propostas adequadas para a realidade dos estudantes. Ilustração: Estúdio Kiwi

Antes, você tinha controle sobre o ambiente em que as atividades eram desenvolvidas com as crianças porque elas estavam na escola, dia após dia, e acompanhava tudo de pertinho. Agora, não mais. E ninguém sabe por quanto tempo será assim. Cada uma das crianças da turma está em uma casa, com características próprias, sendo cuidada por uma ou mais pessoas, passando o dia em condições muito diversas e nem sempre ideais. Antes, você tinha controle sobre o ambiente em que as atividades eram desenvolvidas com as crianças porque elas estavam na escola, dia após dia, e acompanhava tudo de pertinho. Agora, não mais. E ninguém sabe por quanto tempo será assim.

Cada uma das crianças da turma está em uma casa, com características próprias, sendo cuidada por uma ou mais pessoas, passando o dia em condições muito diversas e nem sempre ideais. Por conta de tudo isso, antes de pensar em propostas a distância e na comunicação com os familiares dos pequenos e contar com a ajuda dos adultos para a realização das propostas escolares, é preciso se aproximar, conhecer a  realidade dele e acolhê-los. Mais ou menos como se faz quando conhecemos nosso novo vizinho ou parceiro de trabalho. Empatia é a palavra-chave! Ao descobrir as características de cada contexto, você terá elementos para planejar propostas viáveis e fazer com que a comunicação entre escola e família se desenvolva de maneira fluida.

Acolher significa, basicamente, interessar-se pelo outro e oferecer um espaço de conforto, sem julgamentos. Em tempos de aulas a distância, implica saber como cada um está vivendo a pandemia, como é o espaço da casa, quem mora nela e qual sua rotina, além de se oferecer como um porto seguro para que a Educação dos pequenos siga adiante. “Com informações dessa natureza, é possível pensar uma forma de trabalho que faça sentido para as famílias, respeitando o que elas podem ou não fazer, sem excluir ninguém das aulas remotas", explica Karina Rizek, coordenadora pedagógica da Avante Educação e Mobilização Social e formadora da Escola de Educadores.

A casa de cada um
Espaço e infraestrutura do lar de cada família são dois dos principais pontos a ser levados em conta ao fazer uma lista de pontos a serem conhecidos. Nem toda criança tem espaço em casa para brincar de roda ou correr. E um em cada quatro brasileiros não tem acesso à internet, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) 2018, divulgada em abril de 2020.

Também é importante conhecer quem é responsável por acompanhar as experiências pedagógicas dos pequenos, e quanto tempo disponível ela tem para isso. Vale investigar, com delicadeza e de forma respeitosa, se essa pessoa sabe ler e qual o grau de afinidade com a criança. Outra informação importante é se há irmãos ou primos na casa com quem ela pode brincar e desenvolver as atividades.Em se tratando de relações familiares, Gabriela Macedo, formadora de Educação Infantil da Comunidade Educativa CEDAC, também destaca que há, ainda, os desafios em relação ao bem-estar dos pequenos no que diz respeito a higiene, saúde, alimentação e violência doméstica, que se intensificou no isolamento social. Problemas dessa natureza, segundo Gabriela, precisam ser encaminhados para ser resolvidos de maneira intersetorial, com apoio das secretarias locais de Saúde e da Assistência Social.

Conversando, a gente se entende
Não é tarefa das mais simples iniciar um diálogo com as famílias sobre as particularidades de cada uma delas justamente porque essa tarefa requer tocar em questões delicadas. Então, nada melhor do que se abrir primeiro para se mostrar sensível, respeitoso e disponível para ouvir e construir um clima bom para essa nova relação.

O segundo passo é explicar que você deseja fazer algumas perguntas para entender a realidade de cada um, exclusivamente para tornar as propostas pedagógicas mais adequadas para diferentes realidades e, ao mesmo tempo, formar um grupo unido em prol da aprendizagem dos pequenos. Vale gravar um vídeo ou um áudio e enviar para todos ou escrever uma carta. Para não expor ninguém, pergunte qual a melhor maneira de conversar com cada família. Ligação telefônica? Mensagens de WhatsApp? “Também é importante que as famílias tenham espaço para expressar livremente suas necessidades, angústias e desejos", recomenda Karina Rizek. Depois, elabore a lista de perguntas, deixe claro que ninguém é obrigado a respondê-la e que as informações fornecidas não serão divulgadas para o grupo.

Por fim, quando receber todas as respostas, além de organizá-las de modo a criar um mapa com as principais características do grupo, cuide para considerar cada realidade única. E, é claro, encontre uma forma carinhosa de agradecer a cada família por ter se aberto para você. 

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