Para repensar a prática

O que é a atitude historiadora proposta pela BNCC

O documento incentiva que as aulas proponham um olhar investigativo sobre a realidade

Na perspectiva da Base, as aulas de história devem estimular a autonomia na investigação. Ilustração: Renata Miwa/NOVA ESCOLA

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de história prevê que o estudante se aproprie de cinco operações básicas de investigação histórica: identificação, comparação, contextualização, interpretação e análise. O objetivo é possibilitar que os alunos sejam capazes de fazer uma leitura crítica dos fatos históricos.

Na perspectiva adotada pelo documento, não basta conhecer (ou decorar) os fatos que aconteceram no passado. Os alunos devem ser incentivados a questionar e estabelecer relações com o próprio presente. Sherol dos Santos, doutoranda em História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista do Planos de Aula NOVA ESCOLA, explica que trabalhar as cinco operações não exclui os conteúdos curriculares. Ao contrário: é a partir deles que deve ocorrer o desenvolvimento dessas habilidades. 

Mas como fazer isso na prática? Sherol indica que o educador deve se preocupar, entre outras coisas, com o que vai apresentar para os alunos e quais fontes históricas vai utilizar. "Fundamentalmente, o professor vai planejar uma experiência guiada, da qual os alunos devem participar com autonomia", afirma a doutoranda. 

Essa postura mais autônoma é o que os especialistas chamam de atitude historiadora. Os estudantes são tidos como “sujeitos que estão na história e que fazem história”, nas palavras de Sandra de Oliveira, coordenadora do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pesquisadora a área de História e Ensino de História. 

A atitude historiadora

Para compreender do que se trata essa atitude historiadora - que não deve ser entendida como a formação de mini-historiadores - é preciso compreender que todo o conhecimento histórico é uma interpretação do passado. Os alunos precisam entender a História não como um resgate do passado, mas como um conhecimento a ser interpretado, analisado. "[os alunos] devem se debruçar sobre documentos para extrair informação de várias fontes", afirma Everardo Paiva de Andrade, vice-coordenador do Grupo de Pesquisa Currículo, Docência & Cultura, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense. 

Sonia Regina Miranda, professora do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e autora de livros como Sob o signo da memória e Cidade, memória e educação, adota outros termos para explicar essa perspectiva: incentivar atitude historiadora é uma forma de ensinar a criança a historiar, isto é, que ela aprenda a fazer perguntas como um historiador, que consiga levantar informações plausíveis e verificáveis e comparar fontes diferentes para compreender os acontecimentos. 

Incentivar esse tipo de postura é positivo nos anos iniciais. "Trata-se de uma atitude que pode levar à capacidade criadora, à curiosidade e à construção de saberes. É uma forma atrativa de ensinar e aprender", responde Vilma de Lurdes Barbosa, professora do departamento de Metodologia da Educação e do programa de pós-graduação em História na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e autora do livro História local: contribuições para pensar, fazer e ensinar. Na prática do professor, essa perspectiva pode se apresentar de diferentes formas, mas todas levam em consideração pensar o conteúdo de uma forma que os alunos tenham uma experiência prática de investigação. 

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