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3 dicas para orientar a pesquisa histórica da turma

Saiba o que você precisa fazer para garantir que as crianças possam pesquisar como historiadores

Garantir diversidade de fontes é uma das três sugestões de especialistas em ensino de História. Ilustração: Renata Miwa/NOVA ESCOLA

Brincar de detetive é divertidíssimo. Quem nunca passou tardes tentando desvendar um mistério? Ou, ainda, quem nunca acompanhou um capítulo de novela ou um seriado policial e ficou tentando adivinhar quem era o assassino?

Dá para dizer que todo historiador tem um quê de Sherlock Holmes. O trabalho dele passa por encontrar no presente as evidências para compreender o que aconteceu no passado. Não é simples assim, claro, mas a comparação funciona.

Para incentivar e aguçar a curiosidade das crianças, Sherol dos Santos, doutoranda em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista do Planos de Aula NOVA ESCOLA, nota que é interessante transformar a busca historiográfica em um enigma a ser resolvido. No entanto, para qualificar a pesquisa e trabalhar a importância das fontes históricas, é preciso estar atento à forma como conduzir essa descoberta.

Para ajudar você na tarefa de planejar aulas instigantes, reunimos três dicas de especialistas para apoiar os alunos nas futuras investigações.

1. Tenha clareza dos objetivos para pensar nas entrevistas

Ao realizar uma entrevista para uma investigação histórica, é preciso escolher um enfoque - sem esquecer de responder perguntas básicas como quem, o quê, onde, como, quando, para quê e por quê. “Eu alio essas a uma pergunta para promover a pesquisa sobre o passado: ‘Por que isso é assim hoje?’”, afirma Sandra de Oliveira, de Oliveira, coordenadora do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pesquisadora a área de História e Ensino de História. 

Ela explica que o "isso" pode ser substituído por qualquer objeto de estudo. O interessante dessa pergunta, segundo a historiadora, é que ela possibilita pensar em relações causais.

Ao propor uma pesquisa com os alunos de Fundamental 1, é importante criar, com a turma, um roteiro que guie a investigação com perguntas obrigatórias e abrir espaço para adicionar outras. Na parte fixa, o professor deve levar em consideração que tipo de informações ou respostas as crianças devem trazer para dar o próximo passo. Um ponto interessante é que as perguntas devem ser sempre no presente. "É a partir do hoje que voltamos o olhar para o passado", afirma Sandra. 

O aluno também precisa saber escolher o entrevistado e entender quem ele é. É importante que ele compreenda que os pontos de vista e o conhecimento sobre um fato variam de pessoa para pessoa.

2. Aposte em diversas fontes históricas

Para realizar uma pesquisa histórica, existem diversas fontes e caminhos possíveis. Os alunos podem, inclusive, misturar as estratégias: realizar entrevistas para descobrir determinada questão, procurar no acervo de jornais se saiu algo sobre o assunto e analisar uma carta da avó que menciona aquele acontecimento. Esse cruzamento de fontes permite que o aluno tenha maior segurança ao fazer uma afirmação.

No entanto, essa escolha deve ser dos alunos. Eles devem fazer o exercício de pensar nos caminhos possíveis para descobrir a questão que querem responder. 

Independentemente da escolha, algumas perguntas do roteiro para entrevistas podem ser replicadas para analisar documentos (fotografias, jornais, cartas, documentos oficiais etc). Sandra lembra, porém, que nem todas as fontes históricas respondem todos os questionamentos. Além disso, é importante incentivar o aluno a questionar as fonte. Ao se deparar com uma fotografia no acervo do jornal, por exemplo, ele precisa problematizar aquele registro: onde ela foi tirada? Como foi o enquadramento? Qual era o contexto da foto? O que ficou de fora?

Se a fonte histórica for um objeto, Sandra indica três perguntas principais: Qual é o material desse objeto? Para quê esse objeto foi utilizado? As pessoas ainda o usam da mesma forma que no passado? "O objeto não muda, mas  as relações em torno dele podem variar muito”, explica.

3. Crie um acervo de bons lugares para fazer pesquisas on-line

É interessante que o professor crie um repositório de bons links para ajudar os alunos em suas pesquisas. Essa é uma forma de garantir a qualidade das informações pesquisadas e a segurança da navegação das crianças. 

O documento pode ser alimentado constantemente. Um caminho possível é procurar se o seu estado ou município tem um acervo digital com a história local. Em nível nacional, uma excelente referência é o acervo digital da Biblioteca Nacional, onde é possível consultar documentos, fotografias, jornais, entre outros tipos materiais. Também vale investigar nos sites das universidades que ofertem cursos de História. Por fim, diversos museus também disponibilizam parte ou a totalidade dos seus acervos, além de tours virtuais. 

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