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Para repensar o ano

Retorno às aulas presenciais: o que está por vir?

Acolhimento, adaptação ao ensino híbrido, planejamento em longo prazo e trabalho coletivo serão essenciais

Por Thais Paiva

Novo cotidiano escolar deve incorporar uso de máscaras e distanciamento, entre outras medidas de cuidado com a saúde. Estúdio Kiwi | NOVA ESCOLA

Escolas fechadas e alunos e professores tendo como única opção as aulas a distância. A realidade imposta pela pandemia de coronavírus provocou uma situação sem precedentes em todo o mundo. Ainda que não se saiba ao certo quando a volta ocorrerá, as redes de ensino começam a debater e planejar a retomada das atividades presenciais. É necessário que gestores e docentes acompanhem, entendam e mesmo opinem sobre o que está sendo discutido para se prepararem. 

Os cuidados com a saúde serão essenciais. Estão em debate adaptações estruturais em consonância com os novos protocolos de higiene e segurança, que incluem distanciamento, uso de máscaras e higienização pessoal e de equipamentos, entre outros pontos. Entender essa parte é importante porque ela vai ditar como serão as dinâmicas em todo o ambiente escolar. 

Turmas menores, possibilitadas pelo rodízio de alunos, em um sistema de ensino que combine atividades presenciais e on-line, têm aparecido como caminho possível para reduzir os riscos de contaminação. “Há uma grande variedade de situações sendo pensadas, que se alteram conforme as realidades das redes e, mesmo, a diversidade que existe dentro delas. Mas o que vai se confirmando é que esse retorno será gradual e seguirá um modelo híbrido”, aponta Fátima Fonseca, coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa CEDAC (confira, neste infográfico, quais estados já definiram estratégias para a retomada).

As experiências bem-sucedidas e o aprendizado com o uso da tecnologia durante a quarentena certamente vão ajudar a colocar em prática o formato híbrido. Dois dos desafios, porém, são os mesmos presentes no contexto atual: a desigualdade no acesso à internet e aos aparatos digitais e a falta de formação de professores para trabalhar com o universo digital. O docente não pode estar sozinho para resolver essas questões. Ele depende do apoio das redes de ensino e dos gestores. 

Para que o modelo que mescla interações presenciais e on-line funcione, é essencial considerar o potencial de cada um dos ambientes, em uma proposta integrada de aprendizagem, o que exigirá um novo olhar para os currículos. “As interações virtuais proporcionam maior personalização do ensino, possibilitando que os estudantes aprendam em diferentes tempos e ritmos, além de trazer uma riqueza de registro de dados”, diz Lilian Bacich, diretora da Tríade Educacional e autora do livro Ensino Híbrido: Personalização e tecnologia na educação. Essas características permitem que os momentos presenciais sejam mais focados nas relações humanas, no desenvolvimento das competências socioemocionais e nas construções coletivas (leia mais sobre ensino híbrido aqui)

A necessidade de rever o planejamento, já presente neste período de ensino remoto, se manterá no retorno às aulas presenciais. É consenso não ser viável cumprir todas as indicações previstas nos currículos alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Para fornecer respaldo legal, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou parecer que reconhece ser preciso priorizar, afinal estamos em um período de exceção. “Vamos ter de lidar com as perdas e entender que não será possível ajustar tudo em 2020. O trabalho se estenderá em 2021, e talvez 2022 também”, diz Katia Smole, diretora do Instituto Reúna e do grupo Mathema, que foi secretária de educação Básica do Ministério da Educação em 2018. 

Para ela, as discussões sobre priorização devem considerar o que a turma conseguiu aprender durante a quarentena e qual a relevância do conteúdo. Ou seja, quais são imprescindíveis para diminuir o impacto no próximo ano e permitir que o aluno possa progredir. “São decisões que o professor não deve fazer sozinho, mas juntamente com os gestores, os pais e as equipes das secretarias”, afirma Katia.

Primeiro passo: acolhimento

Trabalhar a questão da defasagem do conteúdo não pode ser o único foco. “A pandemia trouxe uma disrupção muito grande. Se as escolas voltarem fingindo que nada aconteceu, os alunos vão se sentir distantes e até mesmo traídos”, diz Letícia Lyle, sócio-fundadora da escola Camino Education, localizada na capital paulista.

Fátima endossa essa perspectiva. Para ela, a escola pós-pandemia deverá pautar-se, principalmente, pelo acolhimento, estendendo seu olhar para todos da comunidade. “Em um primeiro momento, o maior desafio será restabelecer o vínculo com os estudantes. Este ano, o que puder ser feito presencialmente deverá ter este objetivo”, aconselha a coordenadora do Cedac. “Cuidado envolve saúde física, mas também emocional. Não podemos nos esquecer disso”, conclui.

Entre as muitas incertezas trazidas pela pandemia de coronavírus, um fato está dado: a escola não será mais como antes. A suspensão das aulas presenciais convocou gestores e professores a repensarem modelos e estratégias de ensino e aprendizagem e colocou os alunos para desempenhar papéis mais ativos na construção de seu conhecimento. Além disso, reiterou a importância de pensar uma pedagogia contemporânea, que considere e integre as tecnologias digitais ao ensino. Esses aprendizados não deverão se perder. “Apesar de todos os desafios do contexto, os educadores se descobriram potentes de outras maneiras”, afirma Letícia.

Ações necessárias no retorno

Mapear as turmas: Saber como os alunos vivenciaram a quarentena será essencial para o replanejamento. Quem conseguiu ter acesso à internet? Quem fez as atividades? Quais foram as perdas das famílias? 

Focar no acolhimento: Não ignorar os traumas e as perdas vivenciados por todos e encontrar maneiras para trabalhá-los.

Analisar o próprio percurso: Analisar o que conseguiu oferecer às turmas. O que priorizei? Como utilizei a tecnologia? O que deu certo? 

Elaborar avaliação diagnóstica: Verificar o quanto os estudantes avançaram também vai fornecer subsídios para o planejamento (aqui, dicas para conduzir esse processo). 

Planejar em longo prazo: Considerar que não dará conta de tudo o que estava previsto para este ano e debater, em conjunto com gestores, colegas docentes e famílias, o que deve ser priorizado.

Trabalhar de maneira coletiva: Estabelecer trocas com toda a comunidade escolar fará a diferença. Não apenas nas questões relativas às aprendizagens, mas também para o cuidado.


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