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Para refletir sobre a prática

Use a heterogeneidade da turma a favor da aprendizagem

Reunir alunos com conhecimentos diferentes para realizar trabalhos em grupo permite que eles possam ajudar uns aos outros

Por Nairim Bernardo

Na retomada às aulas presenciais, dinâmica de trabalhos em grupo deverá respeitar os protocolos de higiene e segurança. Estúdio Kiwi | NOVA ESCOLA

Muitas crianças e adolescentes estão se sentindo sozinhas durante esse período de isolamento físico. É preciso considerar que muitos deles não têm irmãos nem acesso à internet, o que dificulta o contato com outras pessoas da mesma idade. Na volta às aulas presenciais, será importante investir em atividades em grupo para reconstruir os vínculos da turma e exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação. “Reencontrar os colegas vai ter um impacto grande nas emoções dos estudantes. Eles se sentem mais à vontade para conversar e dizer o que sentem entre seus pares”, diz Maria Helena Braga, pedagoga e secretária Municipal de Educação de Poços de Caldas (MG). 

Ao planejar os agrupamentos, pensar na heterogeneidade das turmas será ainda mais necessário, uma vez que ela pode ter se acentuado durante as aulas a distância, com estudantes que avançaram mais e outros menos. Afinal, as condições para o estudo em casa foram diferentes. Com isso, surgem várias dúvidas sobre a condução dos trabalhos em grupos no sistema híbrido, que deve ser a realidade na maioria das escolas, com a combinação de atividades presenciais e on-line. Para colaborar, respondemos às principais perguntas em relação a esse tema. 

Como posso utilizar as informações levantadas durante as avaliações diagnósticas para reorganizar a turma?

A avaliação diagnóstica não deve ser feita para dar notas ou classificar os alunos. Mas ela fornece subsídios para que se entenda como está o desenvolvimento de cada um. Observe os resultados com cuidado para elaborar os agrupamentos. Segundo Maria Luiza Ramos, formadora da Elos Educacional, reunir estudantes com níveis de aprendizagens variados permite que eles possam ajudar uns aos outros. Mas essa diferença não pode ser muito grande, com o risco do trabalho não funcionar.

Provavelmente, como nem todos poderão frequentar a escola no mesmo dia, considere a possibilidade de, nas primeiras semanas, agrupar os estudantes por nível de desenvolvimento. Assim, você poderá dar atenção especial e realizar atividades de reforço com aqueles que apresentam mais dificuldade para depois reagrupá-los de modo mais heterogêneo. 

Nas aulas presenciais, o que devo considerar para desenvolver propostas de trabalho em grupo?

Esses são os momentos com maior potencial para a interação entre os alunos, e o professor deve aproveitá-los. Mas, por um período ainda indeterminado, será preciso respeitar os protocolos de higiene e segurança. Independentemente da faixa etária da turma, converse francamente sobre a nova realidade e lembre-se de que a divisão em grupos pode também ajudar a preservar a saúde de todos. Comente que, para funcionar, eles terão de respeitar as medidas de prevenção. Em relação à dinâmica e heterogeneidade do grupo, explique a necessidade de respeito mútuo e ressalte que, se eles colaborarem entre si na medida em que conseguirem, e se reconhecerem os conhecimentos uns dos outros, o trabalho ajudará no processo de ensino e aprendizagem. 

Vale enfatizar com a turma a possibilidade de um complementar o que o outro já sabe para avançarem juntos e, assim, estimulá-los a dividirem entre si os diferentes pontos de vista, raciocínios e hipóteses. “Quando alguém partilha o conhecimento com os outros,  também aprende muito com isso. É uma troca em que todos saem ganhando”, lembra Marly Machado, formadora de professores e especialista em Metodologias Ativas.

Como elaborar atividades em grupo no ensino remoto?

O raciocínio para aproveitar a heterogeneidade acompanha o que já foi dito acima. Mas o ambiente digital traz um ponto extra para considerar: verificar o conhecimento dos alunos em relação às tecnologias. Assim, é possível colocar aquele que tem mais familiaridade para auxiliar o que não tem. Porém, o mais importante é elaborar situações-problema nas quais os estudantes tenham de propor soluções por meio de pesquisas e da junção de vários saberes. “Isso justifica o grupo, pois eles precisam encontrar uma maneira de todos colaborarem, debater o tema, criar e buscar solução”, explica Marly. Se a proposta apresentada girar em torno de apenas uma resposta, pode ocorrer de um dos alunos resolver sozinho e o exercício perder o sentido. Para propor as interações, invista em plataformas de reunião on-line (Zoom, Google Meets, Skype), em redes sociais e aplicativos que permitem trocas de mensagens.

Como posso aproveitar o que foi desenvolvido durante a pandemia?

Analise como foram as experiências de trabalho em grupo com o uso de tecnologia no período de aulas a distância e pense em como aplicar os recursos que funcionaram. A diferença, agora, é não ser mais necessário que tudo seja feito on-line. Parte do processo colaborativo pode ocorrer nos encontros presenciais.

“Professores, gestores e estudantes estão se superando para realizar um bom trabalho e esse esforço tem de continuar”, diz Maria Helena, destacando a busca por novas maneiras de ensinar. Para ela, é necessário também aproveitar o aumento do contato com as famílias e investir nessa relação, uma vez que pais e responsáveis continuarão sendo parceiros nos dias em que os alunos não forem à escola. Para isso, mantenha ativos os canais de comunicação utilizados na quarentena.


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