Para repensar a prática

Folclore: 5 dicas para envolver os alunos do Fundamental II

Práticas simples ajudam a revitalizar a cultura popular no repertório das turmas do 6º ao 9º ano

Por Carol Scorce

O folclore está vivo e a tecnologia é aliada na hora de levar o tema para o Fundamental II. Ilustração: Ana Carolina Oda/Nova Escola

Folclore não é (só) coisa do passado. A cultura popular transforma-se e vive conosco. É carregada de geração em geração, quer sim, quer não. E o pulo do gato para deixá-lo evidente para as turmas do Ensino Fundamental II é revigorar a cultura popular nos alunos mais velhos. Para isso, as metodologias ativas, a partir do protagonismo do aluno no aprendizado, são boas aliadas, assim como a tecnologia. 

Professora do curso de Especialização em Formação de Escritores do Instituto Superior de Educação Vera Cruz e assessora do projeto Planos de Aula de NOVA ESCOLA, Mazé Nóbrega aponta alguns caminhos que o professor pode adotar para estimular os jovens a se verem como parte de uma cultura que está em constante transformação. 

1. Lembre-se: o folclore está vivo. palavra folclore é comumente questionada por quem trabalha efetivamente com a cultura popular. É assim porque ganhou uma conotação equivocada, de algo fossilizado, parado no tempo. E isso não é verdade. As manifestações culturais folclóricas estão muito vivas, e em constante transformação. É como os blocos de rua, que pareciam adormecidos, mas, de repente, voltaram com vigor no carnaval. Para captar os jovens é preciso mostrar que as manifestações culturais fazem parte de suas vidas, estão aí descendo a ladeira e fazendo a banda tocar.  

2. Aproveite as grandes festas. As festas populares são um bom tema para trabalhar o folclore de forma interdisciplinar - em especial com a História e a Geografia. As grandes manifestações culturais de regiões específicas do Brasil têm o poder de engajar os jovens por já fazerem parte do repertório deles. Alguns exemplos são o carnaval de Olinda, em Pernambuco, o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, e as escolas de samba, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo possibilitam a pesquisa de como as coisas eram em outros momentos, e de que maneira a cultura vai se formando. 

3. Relacione o folclore com a pandemia. Há uma vasta literatura de contos de tradição popular, e eles podem ser muito oportunos no contexto da pandemia. O historiador Câmara Cascudo é o grande pesquisador dessa arte, e é uma excelente fonte de pesquisa. Os contos de assombração e de enganar a morte, como os do escritor Ricardo Azevedo, são histórias curiosas e que trabalham sentimentos como o medo e o tempo de uma forma lúdica. 

4. Leve a tradição oral para plataformas de áudio. A tradição oral, ou seja, os costumes transmitidos de geração para geração a partir da contação de histórias, é um elemento fundante do folclore. Os alunos podem ser instigados a usar as ferramentas tecnológicas do uso cotidiano e que privilegiam o áudio, como o WhatsApp e os podcasts, para manter a tradição viva. A sonoplastia, seja criada analogicamente, seja através de programas com microedições, vai tornar a atividade mais atrativa, além de revigorar a prática folclórica, cruzando o que tem de mais tradicional na cultura com as mídias digitais. 

5. Use o YouTube para transmitir saberes de geração em geração. Com base nos mitos e lendas, os alunos mais velhos podem ser incentivados a produzir conteúdo folclórico para as crianças menores no YouTube. O exercício é o de criar um conteúdo a partir de uma história, mas com a cabeça no público - espectador. A prática estreita a relação entre as faixas etárias e favorece a transmissão de saber de uma para a outra.

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