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Sugestão de Atividade: mitos e lendas na aula de História

Trabalhe com os mitos indígenas o valor da natureza e da pluralidade de compreensão dos povos sobre a criação

Por Carol Scorce

Amplie o repertório dos alunos com base nos mitos de criação dos povos indígenas. Ilustração: Ana Carolina Oda/Nova Escola

Muitas das histórias que conhecemos como folclore têm suas raízes no que os indígenas chamam de cosmovisão. Esses mitos e lendas ajudam a compreender a profunda relação desses povos com a natureza. Traduzem também a diferente percepção que indígenas e não indígenas têm da terra, como espaço do sagrado para uns, e de extrativismo para outro. 

Os mitos propostos nesta atividade apresentam como povos indígenas americanos elaboram a criação, com suas semelhanças e diferenças, evidenciando a pluralidade cultural em suas particularidades regionais e culturais. Os alunos serão instigados e encontrar essa diversidade, e elaborar a sua própria criação. A sugestão de atividade, para História, é de autoria do professor de História da rede municipal de Lucena e da escola Maple Bear de João Pessoa (PB), Diogo Pimenta, graduado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em História pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Confira: 

ATIVIDADE: MITOS DE CRIAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS AMERICANOS

3 sequências de atividades para aprender sobre diferentes culturas da América


Indicado para: Turmas do 6º e 7º ano

Materiais: Acesso à internet para os encontros síncronos e aos documentos listados abaixo 
Carta do chefe Seatle 
Mito de criação Guarani: O Sopro de Tupã
Mito de criação Xavante 

Na BNCC: EF06HI08

Duração: A sequência didática é para ser feita em três aulas, sempre com uma atividade e um encontro síncrono 


PASSO A PASSO

Sequência 1 - Contexto

1. Apresente aos alunos a carta do chefe Seattle: Peça que os alunos leiam a carta do líder indígena norte-americano Chefe Seattle (1786-1866) individualmente antes do primeiro encontro. Você pode enviar o documento via WhatsApp, e-mail ou por meio de outra plataforma de sua escolha. Solicite que respondam: O que mais te chamou atenção na carta? Qual é a importância da terra para o povo duwamish? Quais são as diferenças entre o povo duwamish e os “os homens brancos”, de acordo com o chefe Seattle?

2. Localize a cidade de Seattle no Google Maps: Após responder essas perguntas, eles devem procurar a cidade de Seattle em algum mapa virtual, como o Google Maps, e responder se, ao olhar as imagens deste local, acreditam que o povo duwamish ainda vive lá. 

3. Motive a discussão: No encontro síncrono (aula), estimule a discussão entre a turma com base na pergunta: O que pode ter acontecido com eles? A ideia é provocar um debate a respeito da invasão dos territórios dos povos originários pelos ditos “homens brancos” na carta do povo duwamish. 

A expectativa é que os alunos percebam a importância da terra para o povo duwamish muito além do sentido material de compra e venda. Por meio de explicações que estão relacionadas à sacralidade e ao sentimento de pertencimento que esta etnia possui, o chefe Seattle apresenta exemplos comparativos se contrapondo ao excessivo materialismo do “homem branco”. Também é possível que os alunos percebam a observação de Seattle quando este diz que só existe um Deus para todos os povos, problematizando assim a ideia de superioridade de uma determinada religião sobre outras.

Sequência 2 - Problematização

1. Divida a turma em dois grupos: Para um, peça a leitura do mito de criação Xavante, e para o outro a leitura do mito de criação Guarani. 

2. Com base na leitura, peça que respondam: Como você acha que o mundo foi criado de acordo com o mito lido? O que você achou mais interessante no texto? 

PONTO DE ATENÇÃO: A interpretação do mito pode ser feita em texto, desenho, quadrinhos, gravação de áudio com o aluno interpretando os personagens da história.

3. No encontro síncrono, leia com a turma os dois mitos de criação: Escolha dois alunos de cada mito de criação e proponha um debate sobre quais as diferenças e semelhanças entre os mitos. Uma possibilidade para essa discussão é a criação de um quadro comparativo criado pelo professor no Padlet (veja aqui como usá-lo)

É esperado que os alunos percebam mais diferenças do que semelhanças, já que os mitos de criação possuem visões diferentes sobre o ocorrido. Estas diferenças podem variar na percepção da existência de um deus único (Tupã) para o caso Tupi, e a criação do Sol e da Lua por crianças para o caso Xavante. Isso será importante para que se construa o entendimento de que os povos indígenas são plurais e diversos com suas particularidades regionais e culturais.

É possível também que os alunos tentem estabelecer algum juízo de valor sobre qual está mais próximo da realidade, já que o mito de criação do cristianismo se assemelha em parte ao apresentado no texto pelos Guaranis. Neste caso, o professor deve relembrar a carta do Chefe Seattle, quando este resgata a ideia de que “o nosso Deus é o mesmo Deus”, em um sentido que valorize a alteridade das percepções de mundo elaboradas pelos diferentes povos da Terra.

Para o caso das semelhanças, a expectativa é de que os alunos percebam a importância da natureza na concepção do mundo. Caso isso não ocorra, selecione partes dos dois textos que tenham esta relação, como: “Quando eles cantavam, o buriti ia aumentando de largura, então ele não conseguia (...) O buriti ouvia” (mito xavante) e “E, finalmente, quando o sol desapareceu do outro lado do céu, a pele de Tupã caiu do corpo dele, se estendeu sobre as águas e formou as terras. No dia seguinte, o sol apareceu no céu e percebeu a mudança” (mito guarani). A seguir, reitere o que essas passagens têm em comum.

Para o caso dos guaranis, reitere que existe uma variedade de povos indígenas que possuem essa matriz étnica e cultural que se dividiram em subgrupos ao longo da história, tais como os guarani mbya, guarani kaiowa, nandeva etc. É previsto que os alunos estabeleçam a conexão que estas diversas etnias indígenas possuem com a sacralidade da natureza. Caso isso não ocorra, resgate as semelhanças dos mitos apresentados com trechos da carta que corroboram esta percepção.

Para você saber mais: É interessante fortalecer também os seus conhecimentos sobre o assunto. Abaixo, listamos algumas fontes de informação que podem ser acessadas:

Xavante-Localização e População atual. Fonte: Instituto Socioambiental
A importância dos mitos para as sociedades indígenas. Fonte: VII Congresso Internacional de História
Mito e cosmologia. Fonte : Instituto Socioambiental
Como trabalhar com mitos indígenas em sala de aula
Diversidade cultural indígena no Brasil contemporâneo

Sequência 3 - Sistematização 

1. Oriente os estudantes a elaborar seus próprios mitos: Peça para os alunos imaginarem mitos baseados nas concepções indígenas, localizando a criação de elementos como a Terra, o sol, a lua, os rios, as florestas e os seres humanos. Incentive-os a promover rodas de leitura em casa sobre os mitos criacionistas indígenas estudados e elaborados nesta aula. 

2. Peça a produção de áudios ou vídeos curtos: Sugira que os alunos produzam áudios no WhatsApp ou gravem pequenos vídeos com registros destas leituras. O compartilhamento dos trabalhos com os colegas pode ser feito por meio do WhatsApp ou de um mural virtual colaborativo, como o já sugerido Padlet.

3. Convide as famílias: Estenda o convite às famílias para entender mais a respeito de mitologias indígenas. Assistam a um vídeo da série “Um Dia na Aldeia”, que conta com a elaboração de curta-metragens produzidos pelos povos indígenas sobre seus mitos e lendas.

Esta sugestão de atividade foi adaptada do plano de aula Mitos e lendas dos povos indígenas americanos. criado por Diogo Pimenta, professor-autor do Time de Autores NOVA ESCOLA, do João Pessoa (PB). As adaptações para o contexto remoto foram feitas pelo próprio autor.

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