Foi bom ou Pode melhorar

Veja o que deu certo - e o que não deu - no planejamento do professor Guilherme

Ao refletir sobre esses seis meses de trabalho na quarentena, o professor mapeou o que funcionou e o que não funcionou. Ele aprendeu muito - e, agora, você aprenderá também

Para as turmas do professor Guilherme, disponibilizar as videoaulas no canal ajuda a não depender da conexão em tempo real. Foto:Daniel Sasso/NOVA ESCOLA

O professor Guilherme Barboza de Fraga, que leciona História para turmas do 6º ao 9º ano na EMEF Theodoro Bogen, em Canoas (RS), ressignificou a aula expositiva ao usar o YouTube para oferecer videoaulas durante o ensino remoto. Assim, ele pôde reduzir as aulas síncronas, contornando a dificuldade de acesso à internet de seus alunos. Além disso, apostou nas lives para aumentar o vínculo e o contato com a turma. 

No entanto, quais as lições aprendidas nesses seis meses de trabalho remoto? Refletir sobre a própria prática é fundamental para aperfeiçoá-la. Por isso, NOVA ESCOLA convidou Guilherme para contar o que funcionou e o que não funcionou nesse período e ouviu a educadora Renata Capovilla, cofundadora da Íntegra Educacional, que comentou algumas das dificuldades, desafios, aprendizados e conquistas do professor em seu novo modo de ensinar. E aí, vamos aprender juntos?


FOI BOM

Lives e quizzers

Guilherme contornou a distância com lives periódicas, em que discute assuntos diversos e convida outros professores a participarem. Além disso, ao final de cada tema apresentado nas videoaulas, ele agenda uma aula síncrona, quando aplica um quiz sobre o tema estudado. Além de checar o andamento da aprendizagem, esse tem sido um momento importante de vínculo e interação dos alunos também com os colegas.

Engajamento no chat

Guilherme usa o chat nas aulas síncronas para identificar o nível de engajamento dos alunos com as videoaulas e medir o nível de compreensão da turma do conteúdo estudado. “Peço que os estudantes digitem suas respostas para que eu possa ir acompanhando o aprendizado individual, identificando quem não participa, inclusive."

Drible na falta de conectividade

Oferecer aulas no YouTube e reduzir o número de interações síncronas foi a opção de Guilherme para driblar as restrições de acesso à internet. Com o material no YouTube, os alunos o acessam quando puderem. Para as turmas do professor, funcionou muito bem.

Superação da timidez

Guilherme venceu essa barreira ao notar a importância da explicação oral. “Tinha dificuldade em lidar com a ideia de aparecer no vídeo, mas fui percebendo que seria complicado para as turmas entenderem temas complexos, como a evolução humana ou o feudalismo, apenas com a leitura dos textos.” Além disso, quando o aluno vê e ouve seu professor, ainda que em vídeo gravado, o vínculo emocional é mantido. E para quem sente a necessidade de gravar, mas ainda fica “travado”, vai uma dica: no YouTube há a possibilidade de colocar os vídeos de forma privada e permitir que somente os usuários com o link os assistam, garantindo privacidade para os professores que não querem se expor.


PODE MELHORAR

Resolução de dúvidas

Guilherme notou uma falta da interação em tempo real com os estudantes. Por mais que haja o recurso do chat, eles não conseguem tirar dúvidas de maneira tão eficiente quanto estavam acostumados na sala de aula. “A maior dificuldade é trabalhar sem o retorno direto dos estudantes, sem a interação da sala de aula, sem poder tirar dúvidas e construir o conhecimento em tempo real."

Nas próximas vezes... Vale repensar a função das salas de aula virtuais, abertas uma vez por mês. Uma estratégia que apresenta boa interação entre professores e alunos é a divisão da turma em grupos menores, de forma que o professor consiga dar mais atenção a todos.

Registros dos aprendizados

Uma questão a ser resolvida é em relação ao registro do que foi trabalhado durante a aula síncrona. A escrita no chat, por exemplo, é eficaz para interações pontuais, mas não funciona bem como um bloco de anotações organizado.

Nas próximas vezes... Há também como o professor interagir com os alunos por meio de recursos como o Jamboard (para construir mapas mentais, elencar conceitos, dúvidas, aprendizados) ou murais colaborativos como o Padlet. Essas ferramentas podem ser interessantes para fazer das aulas on-line momentos de troca mais eficazes com cada aluno, garantindo que haja a construção do conhecimento.

O acesso à internet ainda não é pleno

Assim como a maioria dos professores da rede pública brasileira, Guilherme sabe que muitos de seus alunos têm acesso restrito à internet ou a dispositivos para acompanhar as aulas on-line, mesmo em plataformas como o YouTube. Elas consomem muito do pacote de dados do celular, por exemplo.

Nas próximas vezes... Uma saída para a limitação de acesso à internet é utilizar redes sociais que as operadoras liberam o uso irrestrito, sem o consumo do pacote de dados, como o Facebook. Lá, é possível fazer uma página restrita e aceitar somente os alunos para participarem. No grupo, é possível fazer postagens, colocar atividades e interagir. Em caso de haver limitação total no uso de internet, o professor pode preparar uma trilha de aprendizagem aos alunos, de forma que, autonomamente, consigam continuar seus estudos. Essa trilha pode ser enviada aos alunos ou disponibilizada na escola para a retirada.

Variar mais os materiais

As aulas em vídeo são altamente engajadoras para os alunos, bem acostumados a consumirem esse formato na internet. Mas, para Guilherme, ficou claro que outros materiais de suporte também são importantes.

Nas próximas vezes... Enviar textos ajuda a variar fontes e documentos históricos, além de desenvolver a leitura e a compreensão, habilidades importantes de serem desenvolvidas. Pode-se pensar, nesse caso, em estratégias similares com as de sala de aula invertida, onde os textos são enviados previamente e os vídeos auxiliam na compreensão dos conceitos mais complexos. As conferências são usadas para a sistematização dos conceitos e para sanar dúvidas.


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