Para aprender sobre a prática

5 pontos essenciais para planejar atividades de contagem

Do contexto da atividade à avaliação, saiba o que não pode ficar fora do seu planejamento

Foto: Ricardo Lima/NOVA ESCOLA

Para que sejam significativas e resultem, de verdade, em aprendizagem e desenvolvimento, as experiências proporcionadas às crianças na Educação Infantil devem ser intencionais.

Na hora do planejamento, o ideal é alternar entre dar continuidade a atividades já vivenciadas pelos pequenos, com desafios progressivos, e apresentar situações novas. O raciocínio vale também para as propostas envolvendo contagem. Para Evandro Tortora, doutor em Educação para a Ciência pela Unicamp, professor de Educação Infantil na rede municipal de Campinas (SP) e colunista de NOVA ESCOLA, o educador deve considerar cinco pontos ao planejar.

1. Contexto

“É fundamental pensar em situações nas quais a Matemática se faça presente e necessária para a criança de uma maneira não mecânica e artificial”, afirma Evandro. Isso significa abandonar táticas como a de entregar uma folha de papel para a turma e pedir que escrevam várias vezes o número 1 ou que contem os elementos desenhados nela. Esse tipo de prática torna artificial um conhecimento que, na verdade, está na vida da criança.

A estratégia é refletir sobre brincadeiras e atividades nas quais a contagem tenha um sentido, uma finalidade real. É o caso dos jogos de dados, cartas ou tabuleiros, que são práticas sociais e envolvem a contagem. Ou de brincadeiras como o boliche, em que é necessário contar quantos pinos foram derrubados a cada jogada.

As situações da rotina nas quais os números façam sentido também podem ser aproveitadas como contexto de aprendizagem. As crianças podem, por exemplo, ficar responsáveis por contar quantas pessoas há na sala para informar à merendeira o número de refeições a serem preparadas. “Nós trabalhamos com ateliês e as crianças já sabem que há um número específico de vagas para cada um. Então, diariamente, elas precisam contar quantos colegas escolheram determinado ateliê para verificar se podem ou não participar daquele também”, diz Rosilda Sousa Ramos Wustemberg, professora da EMEI Pequeno Príncipe, em Campinas.

2. Desafio 

Escolha situações e atividades que possibilitem produzir novos conhecimentos a partir daqueles que a criança já tem. Para isso, o professor deve abrir um espaço de exploração e busca em que a solução do problema fique a cargo das crianças. 

Para colocar isso em prática, é importante que o educador conheça a turma. Assim poderá planejar uma atividade que não seja nem fácil demais, nem difícil demais. Algumas vezes, o que é problema para um pode não ser para o outro. No caso dos números, por exemplo, a criança que desenha muito bem, ou já sabe escrever seu nome, terá, provavelmente,  facilidade para fazer o registro numérico, mas pode ser que na hora da contagem ela não consiga estabelecer a correspondência termo a termo. Com outra, pode ocorrer o contrário. A ideia, então, é observar atentamente e apresentar uma diversidade de problemas para a turma.

Foto: Ricardo Lima/NOVA ESCOLA

3. Colaboração

Privilegie atividades que proporcionem a colaboração para que as crianças aprendam umas com as outras. Descentralizar o conhecimento da figura do professor promove a circulação e o intercâmbio de experiências de contagem, de leitura de números e de comparação de quantidades, entre outras habilidades, para que todos avancem. 

A aprendizagem colaborativa e as interações que surgem dela também permite o desenvolvimento de outras competências e habilidades, como empatia e respeito às diferenças.

4. Registro

Definir como vai registrar o que ocorreu durante as atividades realizadas também faz parte do planejamento. As anotações feitas por escrito, juntamente com fotografias, áudios e vídeos, ajudam a resgatar o que apenas a memória não dá conta e servem como objeto de investigação e análise crítica sobre a prática pedagógica e o desenvolvimento de cada criança. São essas reflexões sobre o processo de ensino e aprendizagem que fazem a diferença no planejamento de situações futuras, pois permitem reajustar o trabalho e progredir, além de compor a documentação da trajetória da criança.

Nesta caixa, você encontrará um conteúdo específico sobre registro, que incluiu uma tabela para baixar e usar com seus alunos.

5. Avaliação 

“Avaliação na Educação Infantil não é de promoção, aprovação ou continuidade”, diz a especialista Karina Rizek, em entrevista que pode ser conferida aqui. O objetivo principal é realizar um acompanhamento constante do desenvolvimento das crianças e do trabalho pedagógico. Este item está diretamente relacionado ao anterior, pois é por meio da observação e do registro que a avaliação se efetiva. Ela também é determinante para, no planejamento, aliar a intencionalidade pedagógica do professor com os interesses das crianças, completa Evandro.

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