Para repensar a prática

Como os campos de experiência ajudam no trabalho pedagógico durante a pandemia

O professor Evandro Tortora, colunista de Educação Infantil de NOVA ESCOLA, compartilha algumas ideias sobre como fazer isso na prática

O desafio imposto pela pandemia é entender como os direitos de aprendizagem podem ser garantidos em casa. A saída? Revisitar os campos de experiência é um bom começo. Foto: Ricardo Lima/NOVA ESCOLA

Para uma criança não existe ano perdido. O fechamento das creches e escolas por tantos meses pode ter limitado as interações dos pequenos com seus colegas e professores, mas não os impediu de continuar aprendendo e se desenvolvendo. As experiências, pilares da Educação Infantil, não se resumem ao ambiente escolar: as vivências em casa podem ensinar muito.

A Base Nacional Comum Curricular da etapa é organizada em cinco diferentes campos de experiência, que valem para bebês (zero a 1 ano e 6 meses), crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) e crianças pequenas (4 anos a 6 anos e 2 meses). Embora nem sempre seja fácil para os professores de Educação Infantil acompanhar a distância se as atividades propostas estão garantindo o cumprimento de objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de cada um desses campos, trabalhar com a ideia de estimular experiências no ambiente doméstico é um caminho interessante e possível — e que pode ser muito frutífero quando há boa parceria com as famílias.

“Embora os pais e responsáveis não tenham a obrigação pedagógica do professor, isso não significa que não possamos propor boas experiências para as crianças em casa”, defende o professor de Educação Infantil Evandro Tortora, integrante do Time de Autores de NOVA ESCOLA e colunista do site. “Temos de partir do princípio de que a escola não é o único lugar de aprendizagem.”

Para ajudar você a aprofundar os conhecimentos sobre os campos de experiência, NOVA ESCOLA produziu esta reportagem inédita, na qual Evandro identifica as vivências domésticas que estão intimamente relacionadas a cada um dos campos. Além disso, o Nova Escola Box selecionou, para esta caixa, 14 conteúdos do nosso acervo sobre este tema, que proporcionam material completo para ler e consultar quando quiser.

Vamos ver o que o professor Evandro contou?

O eu, o outro e o nós

Certamente, o isolamento impactou no volume de interações que uma criança tem com outros pequenos e adultos. Mas essa relação com o outro continua ocorrendo em casa. Os professores podem ajudar a estimular essa compreensão das crianças sobre suas relações com os familiares, sugere Evandro. “A criança pode compartilhar conosco um pouquinho sobre quem mora com ela, quem são as pessoas com que ela tem conversado, com quem ela tem brincado em casa."

Corpo, gestos e movimentos

Muitas brincadeiras com o corpo podem ser feitas em casa: percursos para os bebês explorarem os cômodos e ganharem confiança para engatinhar e ficar de pé, jogos de palmas, danças e até corridas. Se nem todos têm o privilégio de possuir uma área externa onde moram, ao menos é possível pensar em atividades que estimulem atividades físicas no ambiente doméstico. “Muitas dessas brincadeiras com o corpo podemos propor por meio de vídeos e lives com os pequenos”, diz Evandro. 

Traços, Sons, Cores e Formas

O isolamento social não muda o fato de que as crianças são curiosas e criativas. As produções artísticas têm papel importante para que os pequenos possam expressar seus sentimentos e refletir também sobre o que estão vivenciando. Uma simples folha de papel e uma caneta, ou lápis, já abrem inúmeras possibilidades criativas e possibilidades de vivências com os familiares. “Desenhar, colorir ou mesmo exercitar algumas escritas podem funcionar em vários locais: no papel, na lousa ou mesmo no chão e no quintal de casa”, explica Evandro. 

Escuta, fala, pensamento e imaginação

Não há distância que a imaginação não possa encurtar. No isolamento social, as crianças podem continuar a ser estimuladas a desenvolver a escuta e a oralidade por meio de atividades com a família. Os professores podem incentivar diversas propostas que estimulem a leitura de histórias no ambiente doméstico. “Quando a família lê histórias para os pequenos, queremos que ela tenha experiências imaginativas com aquela história, além de a estimular a se expressar”, comenta Evandro. “Ao pedirmos que a criança nos envie um áudio por WhatsApp de vez em quando, queremos saber justamente como está sua oralidade. É quando conseguimos fazer uma avaliação de como está seu desenvolvimento nesse campo.”

Evandro se lembra de que as cantigas também são uma ótima forma de estimular esse tipo de experiência, pois elas ajudam as crianças a interpretarem e imaginarem as histórias por trás das letras.

Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações 

A cozinha de uma casa pode ser um grande laboratório para experiências e experimentações. Vários processos feitos no local podem incentivar o desenvolvimento das crianças. Uma das propostas de Evandro é engajar os pequenos em uma observação sobre as várias fases da água. “O que acontece quando a água está líquida e se coloca no congelador? Depois de uma hora, como ela vai estar? E depois de duas horas? E após um dia? É interessante tirar fotos dessas etapas do gelo para proporcionar à criança essa vivência.”

Além de fabricar gelo com as crianças,  também é possível estimulá-las a fazerem relações com objetos ou alimentos quentes e frios e com quantidades na hora de preparar uma receita.

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